Quando a dor vira palco da graça
Nem ele pecou nem seus pais; mas foi para que nele se manifestem as obras de Deus. - João 9:3.
Imagine carregar a escuridão desde o nascimento. Um homem, cego desde que veio ao mundo, sem nunca ter visto o rosto de sua mãe, a luz do dia ou o brilho das estrelas. E então, diante daquela dor silenciosa e duradoura, os discípulos perguntam a Jesus: “Quem pecou? Ele ou seus pais?”. Eles queriam uma causa. Queriam apontar o dedo. Mas Jesus não lhes deu uma explicação que os satisfizesse. Ele lhes deu algo melhor: uma revelação.
“Nem ele pecou, nem seus pais. Mas foi para que nele se manifestem as obras de Deus.” À primeira vista, isso soa como se Deus tivesse planejado a cegueira apenas para um dia operar um milagre. Mas quando mergulhamos mais fundo no sentido do texto, percebemos que Jesus não está dizendo que Deus causou o sofrimento. Ele está dizendo que Deus pode usá-lo. O que o inimigo quis para destruir, Deus transforma em testemunho. O que era escuridão, se torna palco para a luz.
Esse homem cego é como muitos de nós. Às vezes não enxergamos o propósito, não entendemos o porquê das dores, não vemos saída. Mas há um Cristo que vê. Ele nos encontra no escuro. Ele nos chama para perto, toca o barro da nossa história e nos manda ao tanque da obediência. E quando obedecemos, mesmo sem entender, saímos vendo. Saímos enxergando mais do que formas — vemos sentido, vemos graça, vemos Deus.
A verdade é que nem toda dor tem uma causa humana, mas toda dor pode ter um propósito divino. Jesus não veio apenas curar corpos; veio abrir os olhos das almas. E isso só acontece quando deixamos de buscar culpados e começamos a buscar o que Deus quer fazer com o que estamos vivendo.
Hoje, talvez você não veja. Talvez esteja no meio da escuridão. Mas se Cristo estiver te vendo, e Ele está, já existe esperança. Sua história não terminou onde começou. A cegueira daquele homem foi revertida em glória. E a sua também pode ser. Porque, com Jesus, até a dor ganha luz.