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Prepare-se para uma imersão profunda no pensamento que moldou séculos de história! Neste episódio, exploramos a fascinante intersecção entre a filosofia da Antiguidade Tardia e a rica tradição do pensamento medieval, destacando como essas correntes se entrelaçaram para formar a base do conhecimento ocidental.

Começamos com Plotino e o Neoplatonismo, uma das escolas filosóficas mais influentes da Antiguidade Tardia, que floresceu principalmente em Roma. Plotino (204/5-270 d.C.) é conhecido por sua estrutura hierárquica do cosmos através do emanacionismo, onde tudo se origina do Uno. O Uno é o princípio supremo, absoluto, inefável e fonte de toda a realidade, além do ser e da existência. Dele emana o Nous (Intelecto), que contém as Ideias e organiza o cosmos, e depois a Alma, que conecta o mundo inteligível ao sensível, sendo a fonte de vida e ordem no universo material. A meta da alma é a ascensão, purificando-se para retornar ao Nous e, finalmente, ao Uno, através da contemplação, virtude e purificação intelectual. Essa visão exerceu um impacto profundo na teologia cristã e na filosofia medieval, adaptando a ideia de uma hierarquia de seres do Uno ao mundo material.

Em seguida, mergulhamos na Filosofia Medieval, um período marcado pela predominância do saber filosófico atrelado ao religioso, onde a filosofia servia como "serva" da teologia para fundamentar dogmas cristãos.

Santo Agostinho (354-430 d.C.), um dos pilares da Patrística, é nosso primeiro guia. Ele buscou conciliar o cristianismo com o platonismo, abordando temas cruciais como a natureza de Deus, o problema do mal, a vontade livre e a "Cidade de Deus". Agostinho argumenta que Deus, sendo a fonte suprema da Bondade, não poderia ter criado o mal, pois este é contrário à Sua natureza. A liberdade humana, ou livre-arbítrio, é central em seu pensamento: Deus prevê nossas ações, mas agimos livremente. O uso adequado da vontade livre é fundamental para viver e agir corretamente, e seu uso para pecar implica punições divinas. Ele também distingue a lei temporal, que deriva sua justiça da lei eterna, conforme a qual é sempre justo que um povo sensato eleja seus governantes e um irresponsável não o possa. O conhecimento, para Agostinho, é alcançado pela iluminação divina e introspecção. A alma, para Agostinho, é superior às coisas materiais justamente por não ter dimensões corpóreas.

Avançamos para São Tomás de Aquino (1225-1274 d.C.), a figura central da Escolástica. Aquino é célebre por sua síntese do cristianismo com a filosofia de Aristóteles. Seu trabalho explora a existência e essência de Deus através das cinco vias, a lei moral universal e a ética da virtude. Um dos pontos altos de sua filosofia é a relação entre fé e razão. Para Aquino, é possível conciliar perfeitamente fé e razão, pois ambas buscam a verdade e esta não pode ser contraditória. A ciência sagrada pode receber algo das disciplinas filosóficas não por necessidade, mas para melhor esclarecer seus ensinamentos, utilizando-as como "inferiores e servas" devido à fraqueza do intelecto humano. Ele também utilizou os conceitos aristotélicos de Ato e Potência para descrever a manifestação e a possibilidade do ser. Politicamente, Aquino justificava a monarquia como um regime capaz de unir a sociedade tendo em vista a realização do bem comum, retomando o conceito de bem comum de Aristóteles.

Descubra como esses gigantes moldaram o pensamento ocidental, unindo o divino e o racional de maneiras que ressoam até hoje. Sintonize para desvendar os mistérios da alma, a natureza de Deus e a busca incessante pela verdade na Idade Média!