Uma única tarde em Londres pós-Primeira Guerra entrelaça as experiências de Clarissa Dalloway, mulher da alta sociedade que organiza uma festa, e Septimus Warren Smith, veterano de guerra que sofre o que hoje chamaríamos de transtorno de estresse pós-traumático e que será levado ao suicídio pela intervenção psiquiátrica do Dr. Bradshaw. Woolf revela como classe social determina completamente acesso à justiça e aos cuidados: Clarissa possui recursos sociais e econômicos para lidar com suas próprias fragilidades psicológicas, enquanto Septimus é tratado como caso médico-legal cuja subjetividade deve ser normalizada ou eliminada. A obra documenta como medicina funciona como extensão do controle jurídico, transformando sofrimento psicológico em questão de ordem pública que autoriza intervenções coercitivas. Para advogados que trabalham com direito de família, saúde mental, ou defesa de pessoas em situação de vulnerabilidade psicológica, a obra oferece análise devastadora de como sistemas jurídicos e médicos podem produzir violências através de procedimentos que se apresentam como terapêuticos ou protetivos.