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56. RIFA DO CAVALO MORTO

Chê! Esse causo aconteceu lá pras bandas de São Gabriel, no sítio do seu Juvenal.

O gaudério tava mal dos pilas, pois a chuvarada tinha acabado com a última safra. E como notícia ruim nunca vem solita, o cavalo preferido dele morreu!

Triste, ele foi beber no bolicho do seu Alaúde, pra chorar as pitangas. Foi então que, entre uma pinga e outra, ele teve uma ideia:

- Já sei, tchê! Vou fazer uma rifa do Cavalo!

- Mas o cavalo não tá morto? Quem vai querer? questionou o seu alaúde enquanto servia mais um copo de pinga.

- Ué! É só eu não falar que ele morreu!

“Isso não vai dar certo”, pensou o dono do bolicho, mas ficou quieto.

Passado um mês, o seu Juvenal voltou ao Bolicho do Alaúde.

- Ô bagual, me conta… Como foi a rifa do cavalo?

- Sucesso chê! Vendi 400 bilhetes a 2 pila cada. Consegui 798 conto!

- Barbaridade! E ninguém reclamou?

- Só o vivente que ganhou.

- E o que tu fez?

- Contei que o cavalo morreu, mas como sou homem de palavra, não iria deixar ele no prejuízo...

- Ah bom! Tu deu outro cavalo pra ele?

- Bem capaz! Eu devolvi os 2 pila do bilhete!