Neste episódio, imbuídos pelo espírito do Romantismo, Francisco Mota Saraiva e João Dinis, abanados por vendavais capazes de torcer a mais insuspeita árvore genealógica, vagueiam pela paisagem desoladora e agreste das charnecas do Yorkshire, e acabam a celebrar a vida e o amor com uma música no coração e debaixo de uma chuva de estrelas.
Publicado em 1847, um ano antes da morte da sua autora, Emily Brontë, “O Monte dos Vendavais” recria o perfeito paraíso dos misantropos e oferece-nos a antítese dos contos de fadas imortalizados pela Disney, aqui destruídos pela vingança de Heathcliff e pelo seu amor impossível por Catherine.
A escritora Charlotte Brontë terá dito que Emily, sua irmã, não saberia o que estava a fazer ao criar tais criaturas, sequer se esse género de “coisas” seriam certas ou aconselháveis. Pois bem que o fez.
À mesa da bisbilhoteira Mrs. Nelly Dean, a vingança é um prato que se serve frio, tal como este Hugo Mendes, rosé, de 2022, que tem nele o mesmo “poder e fogo secreto” de um livro que é, claro está!, um vendaval.