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Pela televisão, internet, rádio, jornal e o vizinho do 126, ouço sobre os atos violentos que estão acontecendo em 75 cidades americanas, manifestações contra o assassinato de George Floyd, homem negro, de 46 anos, asfixiado pelo policial Derek Chauvin, em Minneapolis, na segunda-feira, dia 25 de maio.
Prefeito, Governador, Chefe da Polícia, Chefe do departamento de defesa, Presidente da
República, Líderes do governo na Câmara e no Senado, e demais governadores e prefeitos, e chefes de polícias das outras cidades que agora tentam controlar a fúria popular vão aos meios de comunicação falar sobre o assassinato de George Floyd pelo policial Derek Chauvin.
A Europa também se solidariza com a tragédia racista americana. Neste final de semana atos aconteceram Berlim, Londres e Copenhague. E, também no Canadá.
Procuro na televisão, internet, rádio, jornal e pergunto ao vizinho do 126, sobre os
desdobramentos do assassinato do adolescente de 14 anos, João Pedro Mattos Pinto, morto pela polícia do Rio de Janeiro, em São Gonçalo, com tiro de fuzil 556 pelas costas, quando a casa em que ele e outros quatro adolescentes estavam foi invadida, metralhada e atacada com granadas.
Prefeito, Governador, Chefe da Polícia, Presidente da República, líderes do governo na Câmara e no Senado, passados 12 dias, não consigo encontrar a fala de nenhum deles sobre o crime.
De forma aplicada, buscando informação, descubro o nome do delegado responsável pela investigação, Allan Duarte. A autoridade se limita a dizer: “acreditar que o caso será
solucionado rápido”.
Não, Doutor, o caso não será solucionado rápido não. Este é o desdobramento dos 300 anos de escravidão no Brasil. E dos outros 132 anos depois da abolição em que o negro é um cidadão de 2ª classe. Descartável.
Abolição, esta, que podemos comemorar com uns poucos dias de atraso com o assassinato de João Pedro, afinal ela se deu em 13 de maio de 1888 e a morte do garoto no dia 19 de maio de 2020.
Mais um jovem assassinado para o triste corolário do trágico governo do eugenista Wilson Witzel. Genocídio.
Como escreveu a ativista Gabi Oliveira: “A mãe gera, cria com dificuldade, passa sufoco. O filho cresce. O Estado vem e mata”.
Sou Vanderlei Vieira e chamo as pratas da casa Cristiano Pierobon e Juliano Chagas para este episódio #20 do podcast “Por uma vida menos ordinária”.

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Podcast - Em quarentena: https://apple.co/2MDRJkh

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