Quem é gorda desde a infância, como eu, descobre muito cedo que é tratada diferente por causa do tamanho do corpo que tem. No entanto, a gordofobia é tão institucionalizada, enraizada na nossa sociedade, que foram necessários quase 30 anos para que eu me desse conta de que o problema não era o meu corpo, mas justamente o preconceito.
Como muitas outras crianças dos anos 80/90, estava inserida em um forte contexto midiático. Sabendo que a nossa autoimagem corporal é formada também pela imagem que fazem da gente, como uma mulher se forma ouvindo, desde cedo, que seu corpo é motivo de riso e de repulsa? Como outras crianças reproduzem em padrão? De onde elas pegam esses exemplos?
Na tese “O Peso e a Mídia: uma autoetnografia da gordofobia sob o olhar da complexidade” exploro justamente a relação dos meios hegemônicos de comunicação com esse preconceito que a gente sente na pele. Na infância, no meu caso, isso ficou marcado por duas importantes comparações: com um hipopótamo e com uma porca, e com uma negação: eu jamais realizaria meu sonho de ser assistente de palco da Xuxa.
Falo sobre isso neste vídeo, que tem a participação especial da minha sobrinha, que faz parte de uma geração toda diferente, mas que do alto dos seus privilégios já sabe que, diante da opressão, a gente não se cala.
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#TAMANHOGRANDE, vamos falar sobre gordofobia * é uma iniciativa da Prof.ª Dr.ª Agnes Arruda de democratização do conteúdo de sua tese de doutorado.
Os áudios têm origem nos vídeos disponíveis no YouTube sob o seguinte endereço: https://www.youtube.com/TamanhoGrandeDoc.
O PESO E A MÍDIA: uma autoetnografia da gordofobia sob o olhar da complexidade está disponível neste link: https://bit.ly/2wvII84.
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