Nosso leito de amor fecundo,
nós, um só corpo moribundo,
mísero fio de vida que nos permite o prazer profundo,
no devaneio nosso de paixão,
não há céu, nem chão,
fantástico mundo,
onde o que vale é o imundo
Tu me excitas,
és a felicidade
e em mim habitas,
a facilidade
não é um problema,
nossa vida, ditoso poema
não sei por que te consternas
em ter tanto prazer ao abrir as pernas;
queres dizer irreal,
só por ser-nos banal;
deixa entre a lucidez,
por que não aceitas duma vez
o dom divinal
do tesão surreal