A fratura política na burguesia brasileira é a mais importante desde o fim da ditadura nos anos oitenta. Isso é algo imenso. As eleições de 2022 serão diferentes, pela máxima gravidade, de tudo o que ocorreu nos últimos trinta e cinco anos, e seu desenlace é, neste momento, imprevisível. Quem se deixa embriagar pelas pesquisas que indicam uma provável vitória de Lula comete o mais grave entre os erros impressionistas: o facilismo. Subestimar Bolsonaro será fatal. Mas é verdade que se abriu uma brecha na classe dominante. A grave divisão burguesa é um fator enorme. Ela só aconteceu porque o governo Bolsonaro provocou um cataclismo. O custo do negacionismo foi terrível. A banalização da barbárie por um governo genocida, que trabalhou pela aceleração do contágio da pandemia, resultou em uma tragédia humanitária. Bolsonaro foi longe demais, mesmo para os padrões selvagens da superexploração que prevalecem no Brasil.