EDITORIAL 10/08/2020 - Atendendo aos apelos do empresariado, sedentos de lucro, e curvando-se a Bolsonaro, sedento de sangue, governadores e prefeitos retomam a circulação de pessoas e as atividades comerciais. A quota diária de sacrifício de seres humanos é o “novo normal”. Dessa maneira, atingimos, desde junho, um platô macabro que parece sem fim. Do alto da montanha de corpos, brada-se que “há leitos de UTIs disponíveis” destinados para todos que sofrerão os sintomas graves da doença. O objetivo principal, portanto, já não é mais salvar vidas do maior número possível de pessoas (o que só pode ser feito com isolamento social eficaz e testagem em massa), mas sim administrar as milhares de mortes sem que isso afete as atividades empresariais. No atual ritmo, chegaremos a 200 mil óbitos oficiais em meados de outubro. O cinismo e a degradação moral nas cúpulas governantes e da grande burguesia atingiram níveis de sordidez incalculáveis.