EDITORIAL 22/09/2020 - É preciso uma resposta anticapitalista à ameaça da fome. Os índices de inflação recentemente divulgados pelo IBGE escancararam uma realidade que se acumulava ao longo dos últimos meses: enquanto o índice geral de preços ao consumidor teve aumento de 2,44% nos últimos 12 meses, os alimentos subiram 11,39%. Apenas nesse ano, os alimentos já encareceram 6,10%. A inflação para as famílias mais pobres, em agosto, teve alta de 0,38%, enquanto a faixa de renda mais alta registrou deflação de 0,10%, segundo o IPEA. Evidentemente, os maiores afetados por essa situação são os setores mais pauperizados da classe trabalhadora, em especial, os negros, mulheres e LGBTs. Cotidianamente, são esses que comprometem a maior fatia do orçamento doméstico com a compra de alimentos. Esse cenário resulta tanto do pleno funcionamento da dinâmica produtiva capitalista, quanto das escolhas políticas do governo Bolsonaro.