Falar sobre suicídio é sempre desafiador.
Lembram do papo sobre medo no episódio anterior? Pois é, ele bateu aqui na hora em que escolhi sobre o que falar nesse mês.
Confesso que me perguntei várias vezes se eu realmente tinha capacidade para falar sobre o suicídio, se a abordagem seria a correta. Se talvez eu não estaria cometendo vários erros - bem humanos - ao tratar de um assunto tão delicado e importante.
Mas resolvi fazê-lo mesmo assim, sem a pretensão de criar regras e nem mesmo ter razão. Só quero colocar a conversa na mesa, para que a gente pare de fingir que está tudo bem, quando na verdade não está. Para que a gente pare de fugir de um assunto que já representa a maior causa de mortes entre jovens de 15 a 29 anos no mundo.
Geralmente, quando acontece um suicídio, uma das afirmações que ouço é “Nossa, eu não imaginava”. E realmente, não da pra adivinhar, muitas vezes não imaginamos o quanto alguém sente ou sofre calado, e só tem um jeito de saber: perguntando. Mas também estando verdadeiramente disposto a ouvir, não apenas escutar e apresentar argumentos práticos diminuindo a importância da dor do outro.
É ouvir com o coração, é estar disposto a mais do que entender, acolher. Para aí sim poder encontrar uma solução e buscar ajuda especializada. Sem vergonha ou medo do julgamento.
Não existe fórmula mágica pra nada nessa vida. Mas estar presente, se fazer presente, ouvir atentamente, ser gentil, ser HUMANO, dizer um “Oi, eu tô aqui, eu me importo com você”, pode fazer uma diferença tremenda. Isso não resolve todos os problemas do mundo, mas com certeza é um começo, muito mais bonito e seguro.
Sim, pode ser idealista, utópico, dê o nome que você quiser, mas eu acredito que ainda tem amor no mundo, e é baseado nele que podemos encontrar soluções simples, para problemas tão complexos.
Texto e voz: Gabriele Welter
Edição: Michel Martins
Agradecimentos especiais:
Cledi Wiezorek Altemburger - a psicóloga que falou sobre "dorômetro"
Cláudio Hélio Radtke Júnior - que sempre me salva quando preciso de dados estatísticos
E claro, a todas as pessoas que têm aberto o coração e me ensinado tanto sobre o tema <3 .