CARTA À CIDA
Olá, Cida!
Fiquei sabendo dos seus sentimentos e não pude deixar de te escrever como forma de te apoiar.
Começo te parabenizando pela pessoa que você foi e é, e de cara te adianto que por incrível que pareça, estão todos bem.
Sei o quanto você é uma pessoa "família" e sei que está sendo difícil esse novo momento em que o ninho está se esvaziando. Porém te convido a tentar um novo olhar sobre estas coisas novas.
O seria ser mãe? Talvez seja essa uma resposta fácil e alguém diga. “A Cida é mãe do Matheus”, mas é aí que, quem não sabe da história não pode saber do real valor dessa pergunta.
Agir como mãe pode ser um puro instinto biológico manifestado no processo de gestação. Mas e quando esse sentimento totalmente convertido em ação é gestado na alma de uma menina em favor de seus irmãos?
Sim, seus irmãos, crianças como você, com demandas tão diferentes, tão urgentes e complicadas.
Quem joga nas costas de uma menina tanta responsabilidade? Quais as chances disso dar certo?
Três vidas além da sua, três pessoas, não seria de se estranhar que se desvirtuassem, que sofressem, que se desviassem do caminho e da correção. Se não todos pelo menos um ou outro.
Pois é, a vida jogou nas suas costas essa complicadíssima missão. E você poderia ter feito diferente, você poderia ter ido até certo ponto do caminho, ter segurado como desse até constituir a sua própria família. Ninguém poderia dizer um “a” se você decidisse cuidar só dos seus, do seu filho Matheus, do seu marido e de você mesma. Ninguém poderia te censurar. Escapar daquela situação em que todos foram jogados já seria um grande feito.
Mas você foi além, muito além, escapar não bastava, nunca foi para você uma opção. Você se salvou e salvou a todos. Foi mãe muito antes de poder ser, foi mãe dos seus irmãos.
Cuidou de cada um, proveu e promoveu um espirito de lar a essas pessoas.
E nessa empreita você teve absoluto sucesso. Ninguém se desviou, ninguém ficou pelo caminho.
A prova disso é que sim, estão todos bem.
E é agora que eu te convido a analisar os resultados disso. Todos estão bem, todos são pessoas de bem e autossuficientes, todos terão a chance de ser felizes e bem-sucedidos.
Essa chance foi dada a eles por você. Pela sua coragem, por sua fibra e empenho.
Estão todos bem, e ao meu ver, essa é a sua grande vitória.
Agora é hora de relaxar e aproveitar um pouco. Se a casa hoje está mais vazia, curta o silêncio e a paz, cuide-se sem culpa. Tudo que podia ser feito você fez com perfeição.
Só não acostume-se demais, pois seus meninos logo voltarão, em barulhentos e felizes almoços de domingo.
E nesses, não em todos, mas um ou outro faço questão me convidar.
Um forte abraço do seu fã e amigo.
Barella
FBarella