A velha história das “boas intenções”
Mais vale o sentido, a intenção, ou a ação? Nem sempre o que
nos leva a fazer alguma coisa é o que a atitude denuncia ou faz parecer. Para
que você entenda melhor, é aquela velha máxima que se diz, de boa intenção o
inferno está cheio.
E te garanto que este tipo de comportamento não está tão
distante assim de nosso dia a dia. Quer um exemplo? Muitos pais, preocupados
com os filhos, tentando protegê-los. Eles agem para evitar que tenham problemas
e, fazendo isso, podem criar um problema maior ainda para outros e para o
próprio filho.
Quantos pais encobrem o que os filhos fazem, impõe uma
maneira de viver e ser. Na melhor das boas intenções acabam por criar o pior
futuro.
A melhor coisa é conhecer com quem está se lidando. Entender
que a resiliência, a capacidade de enfrentar a vida e de ter responsabilidade
sobre os dilemas que a vida traz só se consegue vivendo. Não tem receita
pronta.
A gente pode aprender com os erros dos outros, mas ninguém
vive por nós. A vida é nossa e pronto.
Se alguém tem que sentir o gosto da terra para ficar de pé,
vai ter que levar o tombo e aprender a se levantar. E na regra do “cai e se
levanta”, basta levantar uma vez mais do que cair.
Já vi muita gente boa, honesta, de boas intenções, ver seus
filhos não terem o futuro que desejavam, não atingirem um comportamento
adequado, não saberem lidar com a vida. Estes mesmos pais se culparem e não
entenderem o “porquê” que a boa conduta deles não fez do filho um bom
ser-humano.
A resposta é simples, por mais que dolorosa. Não se é bom em
tudo. E nem sempre quem sabe viver a vida é capaz de criar alguém de bem com ela.
Antes, a algumas gerações atrás, copiávamos a conduta de
nossos pais e pronto. A criança, o adolescente, era educado a cumprir o papel
que seus pais cumpriam. As relações e possibilidades mudaram esta lógica.
Nossos filhos raramente vão reproduzir nossos papeis
sociais. Assim, educar alguém para a vida exige a capacidade de reconhecer que
o que somos e pensamos não é o que o outro de fazer e pensar.
Por isso, muitos pais, cheios de boas intenções, acabam por
agir de forma nociva e determinar para seus filhos um mal que seu ato não teve
a vontade de expressar.
As consequências desta ação de interesse protetivo e de
prática venenosa mata o rebento aos poucos. Ele vai se definhando pela própria
fragilidade do excesso protetivo. Se desmancha no sopro da brisa.
Seres fortes são criados com bases profundas, muitas delas
plantadas no interior da terra e regadas com fortes experiências. Elas, as
doses da vida, não precisam ser traumáticas, mas entendidas como condição vital
para viver. Em especial a frustração.
Deixe viver, nem por isso, deixe de amar e compartilhar, de
estar perto, o que não significa viver pelo outro e fazer para o outro.
Mas como agir de maneira coerente?
Boa intenção pode ser dose de veneno
Viva e deixe viver