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Cristo espera nossa conversão

Leituras:Is 40,1-5.9-11Sl 84(85),9ab-10.11-12.13-14 (R. 8)2Pd 3,8-14Mc 1,1-8

O segundo domingo do Advento nos coloca diante da figura de João Batista, convocando a Igreja a viver um processo de conversão. O tempo do advento é tempo de penitência, por isso a cor roxa nos convida à introspecção, à revisão de vida, para buscar o sacramento da confissão, a fim de estarmos com o coração em estado de graça para a celebração do Natal do Senhor. Mas, além disso, para estarmos preparados para o encontro definitivo com Cristo que nos vem.

A primeira leitura é tirada do Capítulo 40 de Isaías. Os estudiosos bíblicos afirmam que se trata de um segundo Isaías que viveu a experiência de estar exilado na Babilônia. Ele recebe a vocação de consolar o povo de Deus, com a esperança de um novo Êxodo. Em breve, Deus haveria de levar novamente o povo para a terra prometida. Para isso, era necessário preparar, no deserto, o caminho do Senhor, aplainando a estrada de Deus, nivelando os vales, abaixando montes, colinas, endireitando o torto e alisando asperezas.

Este versículo do profeta Isaías, Capítulo 40, é utilizado pelos Evangelistas para explicar a missão de João Batista. Ele é aquele que clama, preparando um caminho do Senhor, endireitando as suas veredas, pois o Messias está próximo de chegar. João Batista pregava um batismo de conversão, ou seja, o arrependimento dos pecados, pois o Reinado de Deus com Seu Messias estava para chegar iminentemente. Com João Batista aprendemos que os nossos pecados retardam a chegada da salvação.

A segunda leitura é tirada da segunda carta de Pedro, no capítulo 3, afirmando que o Senhor não demora a cumprir sua promessa. Ele está usando de paciência porque não quer que ninguém se perca. No imaginário popular, a segunda vinda de Jesus está marcada pelo julgamento, pela condenação, quando, na verdade, Jesus vem para salvar. O próprio nome de Jesus indica sua missão: Deus salva. Jesus não faz outra coisa senão salvar. Ele demora a voltar porque a humanidade não está preparada para acolhê-lo como Salvador. Pensemos em quantas atrocidades a humanidade já fez e ele poderia ter voltado naquele instante. Pergunto: a humanidade seria salva? Não seria condenada? Por isso que ele não veio! A nossa santidade de vida, a nossa conversão ao evangelho, adianta a sua vinda gloriosa, ao passo que nossos pecados, nossa maldade, retardam a sua vinda. É claro: um dia, mais cedo ou mais tarde, ele voltará para dar o arremate final na história humana. Um dia, mais cedo ou mais tarde, haveremos de morrer e que a morte nos encontre santos para encontrarmos Cristo.

O segundo domingo do Advento nos coloca, portanto, diante da realidade deste mistério: Cristo demora a vir porque está esperando a nossa conversão, a nossa santidade. Os nossos pecados retardam a vida de Cristo e como ele deseja vir para nos salvar, ele aguarda pacientemente nossa conversão para que ele possa vir nos buscar quando estivermos preparados para sermos salvos. Peçamos a Deus que o Advento nos seja tempo de conversão, que nos prepare para o encontro definitivo com Cristo e para a celebração do seu Nascimento, na solenidade do Natal.

Pe. fr. Inácio José - Doutorando em Teologia Bíblica - FAJE"