Insistir contra a castração não é fácil.
É preciso fazer o movimento, arriscar o movimento, e esperar o resultado, vindo o corte, aí você vê que por ali não passa.
O persistente não desiste e vai tentando de outras maneiras.
Não é qualquer um que suporta o corte. Reage contra o corte.
A ideia seria não reagir contra o corte, mas estudar o corte, para dar uma volta nele.
Desse modo é que se vai aprendendo a contornar a castração.
Fazer o percurso em volta do próprio eu no caso.
Você quer passar a mensagem, a mensagem é bloqueada, você não desiste, reescreve a mensagem de outra maneira.
Dessa maneira fazendo, você vai insistindo, e vai tentando ver como contornar a castração.
Interessante, porque é possível fazer o contorno do corte.
Vão insistir no corte.
E você pode rir de como cortam também.
Fica observando como é feito o corte.
Porque é risível.
É curioso ver como tentam bloquear.
Aí, como o leitor também tem nele a repressão, ele tenta bloquear, criticar.
Nisso, a gente pode rir de como se manifesta a tentativa de bloquear.
Porque a repressão é interna ao próprio leitor, ele lê, toma um choque, ou se aborrece, e responde da maneira mais bizarra possível, né, os comentários são bizarros.
Representando a dificuldade da pessoa em assimilar o texto.
Vem o corte no texto, que é um corte bizarro, risível, né, a gente ri do corte, porque ele é bizarro, mas respeita, não reage, não rebate o corte, deixa ele lá, porque senão vai entrar em guerra de palavras, aí, tenta uma outra forma de manifestar.
Desse modo, você vai ver como que a castração existe atuando.
A pessoa tenta passar uma mensagem que o outro nao entende, a mensagem é rebatida, mas você não rebate o rebatimento, fica quieto, para observar como que o leitor lê.
Aí sim você vai ver se o leitor tem cabeça para ler um texto e perceber a ironia, o jogo de palavras, e não ficar louco com o texto.
O texto é então um teste quase que o tempo todo, um teste ao corte, à compreensão, como a pessoa não compreende, ela corta.
O escritor teria que ter muita inteligência, persistência, para não cair no rebate da discussão do texto.
O Machado publica lá o texto dele, e não fica ali respondendo, ele assiste a como que leem o texto, e fica na dele.
Dessa maneira fazendo é possível aprender muito sobre o conceito psicanalítico de, primeiro, de Narcisismo, né, meu, do escritor, e do leitor, e também muitas vezes a incapacidade dele de ler a partir de fora da castração, aí, ele se irrita com o texto, corta o texto, grita contra o texto, faz atitudes bizarras piores que o texto, sem perceber que quem postou queria ver a compreensão dele do texto, não queria um bate-boca com o leitor. Inclusive, o leitor é desconhecido.
Por isso que chama então de ‘teste da subjetividade’, ou ‘pesquisa da subjetividade’, ou estudo da subjetividade’. Está estudando o Narcisismo do leitor, na dificuldade dele de compreender um texto, e reagir numa irritação absurda.
Muito pior que o texto que foi colocado.
Ele xinga, grita, fala que o autor é louco, é psicótico, não tem mulher, não tem pau duro mais, ele é um viado, a mulher corneou ele e ele está puto e está escrevendo...
Tudo isso é reação do leitor que é, como eu digo, uma reação risível, uma reação bizarra, incompreensível.
Eu não estou fazendo aqui uma tabela de pesquisa, depois vou divulgar quantas pessoas que reagiram assim ou assado, isso o professor faz na sala de aula de português, quando ele manda ler um texto e vem várias interpretações.
As interpretações são distorcidas justamente pelo Narcisismo do leitor.
Essa é a ideia que eu tive nesse áudio aqui rápido enquanto eu vinha de um ponto a outro de carro.