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Description

O livrinho que estou organizando com os textos que divulgo em mídia social terá o nome A impostura do ‘Feminismo’.

Que tenta resgatar uma filosofia que, de certo modo, ficou perdida, a filosofia criada por Sacher-Masoch, autor do livro de muito sucesso, tema de filme de Roman Polanski, Vênus em peles.

Vênus recoberta de peles, para atrair para aquilo que ficou oculto sob as peles, atrair quem ela vai dominar.

Neste livro é ilustrado em ato, em textos, que aparecem em ato, a psicanálise de Freud. Pretendo nesse livro mostrar a Cruel Filosofia do Masoquismo, e do Narcisismo.

É um livro literário, não é um livro conceitual.

Porque o Masoch não escreveu uma filosofia do masoquismo.

Ele escreveu um livro de literatura, onde ele faz, semelhante a Nietzsche, uma filosofia baseada em literatura, com Assim Falou Zaratustra, e outras formas que Nietzsche utilizou, para mostrar, por meio da arte, conceitos da filosofia, sem conceituar esses conceitos, sem definir conceitualmente.

Interessante pensar assim porque a vida humana vai se desenrolando na prática sem que ela seja exatamente um conceito. A pessoa vai vivendo a sua vida e nessa vida que ela vive estão embutidos os seus conceitos do que é o viver, a sua ética. A ética da pessoa vai aparecer no modo como ela age no mundo.

A ação dela sobre o mundo é uma ação ética. O discurso é uma ação sobre o mundo.

A palavra do homem é um ato sobre a realidade. Nem sempre ele vai à realidade colocar em prática aquelas palavras conforme ele enuncia, porque ao enunciar, ele divulga, por exemplo, ele nunca diria “eu vou enganar meu amigo” e vai lá e engana o amigo.

Se ele disse isso, já está informando ao amigo que ele iria enganar esse amigo, e automaticamente estaria dando possibilidade de defesa.

O discurso é um ato sobre a realidade quando ele não é colocado em prática, então, fica apenas no dizer. Por exemplo, dizendo através de uma ameaça, “cuidado comigo!”. É uma frase, terminou aí. É o anúncio também de um alerta, para que a pessoa do outro lado recue um pouco se estiver sendo invasivo.

O Sacher-Masoch, então, publicou um livro de literatura a relação dele com a esposa. Os conceitos estão ali dentro e ele não traduziu numa obra filosófiva.

Há uma ligação, então, entre o discurso literário e a filosofia, muito embora, muitas vezes, não seja explicitada essa ligação, ela fica oculta.

O Freud também, quando criou a filosofia clínica dele, de levar o paciente a conversar em consultório privado sobre as loucuras que anda aprontando na realidade e que o tornam uma pessoa doente, quando o Freud fez isso, ele não fez como o Masoch, uma obra literária somente, o Freud também criou os conceitos, os conceitos da psicanálise, da doutrina psicanalítica, que passou a ser estudada somente do ponto de vista do conceito, veja bem!!

Num certo sentido, então, o Freud perdeu aí a psicanálise quando transformou, ou quis transformar, o discurso do doente em conceitos de tratamento.

A dificuldade que existe no ser humano é ele perceber, conseguir separar, as suas ações, o seu modo de agir na realidade, da doença que é, também, esse modo de agir.

Ele vai conversar com o psicanalista porque ele está tão envolvido em suas ações que ele também já nem consegue mais discernir, separar, porque ele está dentro do problema. Ele está todo envolvido. Ele não tem o distanciamento.

Ao ir conversar com o psicanalisa a expectativa é que ele se reveja, então, e que ele adquira esse distanciamento que, sozinho, ele não consegue ver.

A dificuldade do tratamento também reside no fato de que as coisas que ele conversa, ele não revela tudo, todos os atos dele, ele tem que se mostra também uma boa pessoa, mesmo diante de um psicanalista, do lado dele.