Listen

Description

O Ego ama a si mesmo ao ponto de acreditar que o outro também o ama e permitir que o outro faça com ele tudo o que quiser fazer.

O amor é uma necessidade de sobrevivência.

É necessário se amar para se proteger.

Mas o amor a si mesmo, que protege, também torna vulnerável.

Porque o outro pode perceber que eu, por me amar, e projetar meu amor nele, acreditando que ele também me ama, nesse caso, o outro pode perceber isso e passar a jogar com o meu amor por mim mesmo projetado nele em benefício dele.

O outro pode passar a me explorar em benefício próprio ao perceber que eu o amo e acredito, falsamente, que ele também me ama.

Tudo o que uma pessoa quer na vida é isso: encontrar alguém que acredite que eu o ame tanto quanto ele pensa que eu o amo, porque, se ele acreditar nisso, poderei explorá-lo como escravo.

Nesse caso, poderei humilhá-lo, submetê-lo, explorá-lo como quiser, sem que ele, de tão apaixonado que está por si mesmo através de mim, e temendo me perder para não se perder, perceba o que está me permitindo fazer com ele.

Esse é o princípio fundamental da filosofia de Sacher-Masoch, que, por ter sido lido de modo equivocado, teve o nome dele transformado num adjetivo que o difama, e passou a ser desprezado como fonte de comhecimento.

Masoch é muito pouco estudado.

Mas existem especialistas estudando Masoch para empregar a filosofia dele e uberizar o ser humano.

O sujeito se ama tanto que trabalha de Uber em troca de elogios.

Ele gosta tanto si mesmo que até paga para trabalhar, desde que seja elogiado.

Seria necessário estudar a filosofia de Sacher-Masoch para melhor compreender a tragédia que o homem se permite fazer pelo fato de amar a si mesmo e acreditar que existem no mundo outras pessoas que também o ama.

O Ego é paranoico, tão paranoico, que acredita mesmo que, por se amar, existam outras pessoas no mundo que também o ama.

O amor é a loucura humana, e Sacher-Masoch soube explorar o tema da loucura do amor em sua filosofia.