A descoberta é uma surpresa, a descoberta é um absurdo
Não se poderia dizer "Eu vou descobrir o Caiporismo em Machado de Assis"
Mas aconteceu de modo contrário, sem saber que o encontraria, vi, sem querer, que o vocábulo Caiporismo, que eu não sabia o que era, era repetido aqui e ali, em Machado, então, mais surpreso ainda, encontrei um conto, "Rei doa Caiporas" (1870), onde o vocábulo se repete 11 vezes, depois, em outro conto "Último capítulo" (1883), onde caipora se repete 13 vezes, e sua origem se encontra em "Quem tem boca vai a Roma" (1857), peça proibida de Joaquim Serra em que os censores disseram que Serra atravessou o Rubicon, outro vocábulo que se repete insistentemente na obra de Machado.
E assim, cada vez mais surpreso, vim a encontrar Pílades e Orestes, Imortal, Diógenes, Similia similibus curantur, Oráculo, Espelho, Vaidade, Prometeu no Cáucaso, Ponto de Admiração, Gênio original, Espelho, todos, remetendo à origem do autor em Paula Brito, jornais da época, semanários "O futuro", "O espelho", e mais predominantemente na "Semana Ilustrada" (1860-1878), onde se encontravam escritores endiabrados - Os Moleques da Semana.
A surpresa maior ainda é que esses vocábulos têm correspondentes em Freud!!
Foram reunidos por capítulos no livro "O Imortal Machado de Assis - Autor de si mesmo" (2024).