Vênus das peles.
Há um complicador, então, pelo que nós estamos vendo, que você não pode tirar a fantasia, que ela usa para organizar o ambiente. É um complicador enorme esse, porque... ela pede para levar para almoçar, levar para dançar, quer o marido ali com ela, exibindo ela, em público.
Quer mostrar que é uma mulher casada, que tem um homem faz o que ela quer, atende aos desejos dela.
Evidentemente que ele não vai ser despudorado para falar na cara dela que ela faz isso para depois atender ao desejo dele.
Então, nesse jogo de sedução, mais ou menos, o homem finge que não está vendo, e vai atendendo, na expectativa de ser atendido.
É comum acontecer de, depois, dizer “ah, estou com dor de cabeça, tô cansada... hoje não, amor, hoje não...”
Quer dizer, a gente nunca sabe quando ela quer fazer esse jogo, que é um jogo sádico, que aparece no livro de Sacher-Masoch, Vênus das peles, um jogo sádico, que a mulher faz com o homem, porque ele fica igual um cachorrinho atrás do objeto de desejo, e ela controlando ele para ceder, conceder, na hora que ela quer, ou não quer, ou... depois chama assédio sexual, machista, desajeitado...
Então, quando ela percebe que ela tem esse poder e quer jogar com esse poder, desse modo, aí a relação está extremamente complicada. Porque o homem fica numa posição em que, como é o caso que aconteceu, chega o instante em que esse jogo que ela faz enoja a ela mesma!
Ela se desorienta com relação a si mesma com relação a tudo o que antes vinha fazendo e que era a contento dela.
Esse começo de áudio aqui, que está interessante, me interessou pelo seguinte, a pessoa está ali armando um ardil, e você finge que não vê porque você percebe que esse é o jogo de sedução, sabendo que depois tem as concessões apropriadas do sexo em casa, porque não é uma prostituta, é a sua esposa, você não pagou aquilo… está pagando mais caro do que uma prostituta, gira essa frase na internet “a esposa é mais caro do que uma prostituta”, porque você vai lá, paga e vai embora.
Até essa frase aqui é pesada, porque esse ardil, esse jogo de sedução, que faz a mulher, para ter o homem, a prostituta continua fazendo porque ela não é propriedade dele, e nem ele dela, e ele vai lá, e paga, e faz bem feito, e ele vai embora.
Mas dentro de casa não pode, então, esse ardil, esse jogo de sedução, essa perversidade que ela faz, enquanto o casal está unido e crescendo, é extremamente positivo, mas chega o instante em que ela está, e ele também, ressabiado com relação a essa malícia, aí começa a confusão, que é o tema deste áudio, porque, se você mostrar o ardil, desmorona tudo “amor, vamos combinar uma coisa, que nós estamos indo ao shopping, ao cinema, ou ao restaurante, ou para passear… mas para chegar em casa tem um contrato combinado, é para dar uma trepada”
Você jamais pode falar uma coisa dessas, ela não vai nem conseguir sair de casa, perde o rebolado todo, não tem esse compromisso assim, ou então ela pode enganar dizendo “farei sim, claro, meu amor, isso está implícito, só não precisa falar, querido…”, aí, vai, depois na volta nega de novo…
É constante esse problema, ele só é suportável quando o par está fingindo que não está vendo, ela vai fingindo todo aquele movimento, e ele vai acompanhando sem falar, e ela vai dando continuidade, se esforça mesmo quando não quer, vai cumprir o ritual na cama, porque ele cumpriu o ritual fora da cama.
O sexo é a tragédia humana, que Freud aprofundou demais, o Machado já vinha mostrando, o Shakespeare também, o Sófocles lá no início, a relação homem-mulher, hoje, está poluída, piorada muitas vezes, devido à violência de poder que a mulher está querendo ter sobre o homem, e isso é o tema de Sacher-Masoch, precisamos ver esse livro de Sacher-Masoch sob essa ótica: a mulher imperando sobre o homem, e ele sem saber o que fazer, e ela também, atualmente, ela acaba enjoando porque o cara é um servidor dela e ela chuta ele para fora. Que loucura hein?