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Tivemos ainda há pouco um excelente caso, clássico em sua simpli­cidade: uma mulher de 40 anos, anêmica, teve de ser internada porque abordava os homens na rua, propondo o coito.

A libido pelo marido já declinava há anos quando (em circuns­tâncias trágicas) veio-lhe uma gravidez exaustiva e um parto muito difícil; todos os vestígios da libido desapareceram.

Mas em propor­ção direta a esse desaparecimento cresceu, no íntimo da paciente, a convicção de que o marido tinha mudado e não mais a amava.

Ocorreu-lhe que a libido dele era um fingimento, que ele andava às voltas com outras mulheres e não lhe concedia o tipo certo de amor.

Por conseguinte forçou-o, valendo-se de todos os meios, a ter relações com ela até quatro vezes por noite, bem como durante o dia, e observou-se que, embora muito arrebatada até o momento da ejaculação, se entregava depois a uma apatia lassa.

Mal acabava o coito e já queria começar de novo.

Parecia insaciável.

Finalmente, na presença do marido, propôs que o cunhado o praticasse com ela. Também tentou ir com o cunhado para a cama enquanto ele dormia com a esposa; mesmo ao próprio irmão propôs o coito; e passou a implorá-lo nas ruas. Mas nunca o conseguiu desse modo (histeria!!) e ela mesma se surpreendeu quando um homem certa vez a seguiu.

Disse saber muito bem que nem o irmão nem o cunhado jamais sonhariam em ter relações com ela; queria apenas mostrar-lhes que eles tinham de ajudá-la porque alguma coisa andava errada.