O Narcisismo é um negócio terrível: a pessoa se arma para não mudar quem ela é.
Se arma na defesa para se proteger de ser destituída de si mesma.
O Narcisismo no tratamento seria a pessoa se permitir desfazer-se de si mesma.
No Estudo do Narcisismo, há um horror, porque a pessoa vai estudar a si mesma.
O homem passa uma vida diante da porta da lei esperando uma autorização para passar, achando que essa autorização viria do outro, quando deveria vir de si mesma, é a própria pessoa que deve se autorizar a atravessar o Rubicon, mas ela é covarde e teme ser punida.
É impossível objetivar o inconsciente. O inconsciente é Narcísico. Ele é aderido ao Narcisismo porque, quando nasce o Narcisismo, ali funda o inconsciente.
Há uma inconsciência do surgimento do Narcisismo, para a pessoa.
O Narcsismo nasce, com a pessoa estando inconsciente do seu nascimento, do seu amor por si mesmo.
O Narcisismo é estutural, é estruturante da pessoa, então, o estudo do Narcisismo, como estudo de si mesmo, como conhecimento de si, conhece-te a ti mesmo, conhece a contradição que você é, que pede que a imagem conheça o anterior a ela, que é o corpo, que é a experiência, de onde veio a imagem, esse estudo, é muito difícil, é desafiador, espanta.
A própria pessoa não quer estudar quem ela é, pelo Narcisismo.
Daí a ideia de que ela precisa ser penetrada por trás.
Para que leve um choque. Quando descobre, a sua própria contradição, se próprio erro.
Só tem um jeito para fazer com que a pessoa se desmonte, se desestruture, perca sua estabilidade, só tem um jeito, e esse jeito é, como diz Machado de Assis em Água sem asas, penetrando por trás da couraça de Sara.
Penetrando por trás de defesa, sem que ela perceba, e de tal modo que seja benéfico para ela.
Narciso diante do Rubicon