Helena cavalgava perfeitamente; de quando em quando a égua, instigada por ela, adiantava-se alguns passos ao cavalo.
Estácio repreendia a irmã, a seu pesar, porque ao mesmo tempo que temia alguma imprudência, gostava de lhe ver o airoso do busto e af irme serenidade com que ela conduzia o animal.
— Não me dirá você, perguntou ele, por que motivo, sabendo montar, pedia-me ontem lições?
— A razão é clara, disse ela; foi uma simples travessura, um capricho... ou antes um cálculo.
— Um cálculo?
— Profundo, hediondo, diabólico, continuou a moça sorrindo. Eu queria passear algumas vezes a cavalo; não era possível sair só, e nesse caso...
— Bastava pedir-me que a acompanhasse.
— Não bastava. Havia um meio de lhe dar mais gosto em sair comigo; era fingir que não sabia montar.