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É preciso falar, mas depois que fala, por que você falou?

Em conversas pessoais é impossível. Amigos, parentes, dizem ‘deixa, esquece, saia dessa, procure outra coisa para fazer...’

A repressão do outro tentando incidir sobre a pessoa, e com ameaça ‘não faça isso, você vai perder seus amigos’.

A tentativa é refutada ‘esquece, não fala nada, vai se tratar, procure um psicanalista’.

É preciso abafar ‘abafe, deixa para lá, que adianta ficar falando?

Quem faz o que você esta fazendo está gordo, digo, ‘doente’. E se as outras pessoas concordam ...a culpa é de quem fala? Veja o que você está fazendo. Procure as pessoas que te querem bem e ouça em silêncio, sem revidar, para processar. Como elas estão vendo as suas ações atuais?

E depois perguntam porque o alcoólatra não sabe nem falar, não consegue nem dizer porque ele bebe ‘por que você bebe?’, ‘pode falar?’, ‘não, não...’

Ele queria falar, ser escutado, ‘olha, deixa, esquece, desiste, não fale nada, poderá ser mal visto, dirão que você está doente, que não quer se tratar, que resiste, que quer impor a sua opinião’.

Então ele publicou um livro, e todos ‘já leram?’, ‘viram o livro dele?’, ‘leram o que ele falou?’, ‘sabiam?’, ‘por que ele não falou antes?’, ‘por que precisou publicar?’, ‘viram o que ele estava passando?’, ‘nossa, como aguentou?’

Não conseguiam escutar o que ele dizia.

Precisaram ler.

Então compreenderram.

-Que história! Nossa! Eu não sabia! Então, era isso? Inacreditável. Se não tivesse publicado, eu não iria saber.

Em conversas pessoais, é impossível ‘olha, deixa disso, esquece, sai para outra, é muito complexo’, ‘não fala nada, vai se tratar, procure um psicanalista’

Depois que publicou ‘que história! Eu não sabia, puxa, era isso, caramba! Por que não me falou nada?’