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Prevendo o passado.

conhecia o número da sorte grande, não dizia qual era nem comprava bilhete para não roubar os escolhidos de Nosso Senhor.

*era incrível que, conhecendo o número, não comprasse bilhete*.

Já agora faltava pouco para ouvir o destino.

Mas quem então previa nada?

Quem prevê cousa nenhuma?

Para Santos a questão era só possuí-lo, dar ali grandes festas únicas, celebradas nas gazetas, narradas na cidade entre amigos e inimigos, cheios de admiração, de rancor ou de inveja.

Não pensava nas saudades que as matronas futuras contariam às suas netas, menos ainda nos livros de crônicas, escritos e impressos neste outro século.

Santos não tinha a imaginação da posteridade.

Via o presente e suas maravilhas.

Quem consegue prever o passado?