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Description

eu escrevo para sustentar a falta de meus gestos. não sei abraçar, não sei cantar, não sei puxar ninguém para dançar.
eu sei amar.
em partes, que são sempre inteiras.
em partes, por que não sei se existe uma maneira certa de amar.
algumas vezes penso estar exagerando até me deparar com alguém de sentimento similar.
apesar de não ser igual, cada um tem seu jeito de sentir.
daí eu escrevo para tentar mostrar o meu jeito.
longe de mim cobrar que me entendam ou até mesmo que seja recíproco.
também não digo para amar quem não te ama, mas odiar?
não consigo.
o ódio é algo ao contrário do amor e portanto também é forte.
mas diferente do amor o ódio fere.
fere até mais quem sente do que quem recebe.
o amor não dói.
eu sei porque já amei trezentas pessoas que até gostavam de mim, mas não era do jeito que eu gostava.
antes me importava.
me acabava escutando aquelas músicas que como diziam era sofrência.
depois que eu estava cansada de não receber o que eu dava é que fui entender.
comparei o amor que a gente dá e recebe com um sorteio de amigo-oculto.
você presenteia alguém com uma câmera e supondo que esse alguém também tenha que te presentear ele te entregue um porta retrato.
vamos aos fatos, ou aos valores.
quanto é a tua revolta?
eu olhei em minha volta e percebi que as pessoas oferecem o que elas podem oferecer.
se é assim e se cabe tanto dentro de mim, me sinto no dever de colocar tanto dentro de alguém.
então eu escrevo porque não tem como abrir o meu peito e tirar com a mão o sentimento.
mas tem jeito de escrever sobre o amor, de dizer que ele importa, de não fechar a porta para aquele que não aprendeu a amar.
aliás, a gente nunca sabe tudo sobre o amor. é preciso cultivar, ensinar, e aprender dia após dia.
porque eu escrevo,
e sou poeta,
mas não aprendi a amar.