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Então o amor é real? Lina quebrada fala várias vezes que ela não ama. Isso foi discutido no Big Brother Brasil e na sua participação lá. Lina lembra que o amor romântico é uma criação recente que nasce no século dezoito. Adiciono aqui que ele é fruto de literaturas e posteriormente do cinema que alimenta um ideal de amor forjado na metade da laranja. Quem nunca ouviu a expressão ficar pra tia ou nunca ouviu falar de solteirão?

A ciência biológica afirma que quando nos apaixonamos liberamos várias substâncias químicas entre elas ocitocina, dopamina, serotonina e a betaendorfina.

Mas hoje aqui decidimos falar de amor colonial. Esse amor fala, mas também ultrapassa as barreiras do amor romântico, Genillonghi Nunes fala sobre a monocultura dos afetos. Forma de amor trazida pelos colonizadores e que mantém duas estruturas principais. Um, a binariedade e dois, a possibilidade do amor único. Afinal, pra ser binário é preciso que duas metades sejam ao final duas metades da laranja. Assim os homens são feitos para amar as mulheres, as mulheres para os homens, ou seja, um só gênero. Mas não para por aí. Também devemos amar um só Deus, uma nação e assim por diante, e por isso ele não termina no amor romântico. Cada par de familiares por sua vez deve amar e cuidar das suas próprias crianças. E o amor se torna uma empreitada individualista. O amor familiar faz às vezes familiares se considerarem donos de suas crianças. Esse fato faz ainda que meninas sejam estupradas pelos próprios pais. Assim também são as parcerias românticas. Uma é da outra uma do outro.

Esse lugar de posse também é ligado ao sentimento de dor. Amar é sofrer. Para homens e mulheres pretas e pessoas LGBT e  mais ainda outras exigências para que esse amor se torne real. O amor muitas vezes pra essas pessoas acontecem na surdina, às escondidas. Ficam as perguntas, será que o poliamor pode ser uma realidade para todas as pessoas? Será que o amor precisa ser assim? Será que existem outras formas de amar?

Será que é possível a gente conversar e perceber de que forma os nossos amores foram colonizados? A pauta então é essa, amor colonizado. Quais são as histórias de amor romântico, de amor familiar e de amizades coloniais?