Vivemos fotografia, para todos os lados que olhamos vemos fotografias
codificadas em diversos gêneros. De uma forma geral, a experiência da fotografia
geralmente está ligada à técnica e ao equipamento, e dificilmente a
experimentamos de forma abstrata. A fotografia é mais do que o enquadramento
e a composição, ela possui algo que vai além da obviedade, e, para analisarmos
com mais cuidado, devemos sempre desconfiar dessas imagens que nos chegam
aos olhos. Fotografias são manipuláveis, desde o tema a ser enquadrado até o
momento de uma pós-produção para o “melhoramento” ou “apagamento” de
ruídos na imagem.
Desde seu surgimento, a fotografia tem sido utilizada como um meio de
comunicação, de informação, de desenvolvimento artístico autoral. Está claro
então que ela tem diversos “gêneros” a serem discutidos e analisados, e devemos
aprender a olhá-la como forma social e cultural de significação para tentarmos
compreender melhor o processo de ver e pensar fotografia. Mesmo com todas as
mudanças técnicas que o equipamento fotográfico sofreu ao longo do tempo para
poder registrar uma imagem com cada vez mais qualidade e rapidez, é preciso
ficar atento aos conceitos e às potências da fotografia.
Milhões de fotos pessoais são produzidas diariamente, além de registros
de eventos entre amigos, passeios com animais de estimação, pratos de comida
gourmetizados e até as diversas selfies1 num ângulo plongée.
A fotografia sempre foi desenvolvida a partir das combinações tecnológicas
e de linguagem. Envolveu questões sobre ópticas, químicas, suporte para o
desenvolvimento da técnica e, posteriormente, o desenvolvimento da linguagem.
Com esse desenvolvimento da linguagem, acrescentamos aqui o uso de
elementos que ajudaram na manipulação da imagem, desde o processo de
retoques na revelação até o uso de softwares específicos de tratamento.
1 Alguns questionamentos a serem analisados: seria a fotografia selfie um retrato apenas de
promoção pessoal? É como se voltássemos no tempo em que as pinturas de retrato tinham o
principal objetivo de divulgação social e no século XXI se transforma em selfie. Segundo definição
do dicionário Michaelis, selfie é a fotografia que uma pessoa tira de si mesma, geralmente com
dispositivo móvel, e publica nas redes sociais. Estamos talvez num movimento cíclico de voltar ao
passado com novas ferramentas? É importante lembrar que a fotografia selfie, ou autorretrato, não
é uma invenção a partir da digitalização da imagem, pois o primeiro registro fotográfico com a
denominação de selfie data de 1839 registrado por Robert Cornelius, portanto a fotografia selfie
na contemporaneidade não é algo tão novo assim.