Francisco José Pereira de Lima, o Preto Zezé, está no 22º episódio do Política ao Quadrado. O ativista e produtor cultural é o atual presidente da Central Única das Favelas (CUFA), organização brasileira que promove a conscientização de camadas desprivilegiadas da população, com oficinas de capacitação, esporte, lazer, ações culturais e de cidadania. Os impactos da pandemia nas favelas, racismo, ações da CUFA e, claro, representação política são alguns dos temas debatidos com Zezé neste programa.
Atuante em mais de 26 estados, além do DF, Zezé conta que a CUFA articula mais de 5 mil favelas no Brasil. E suas ações já extrapolam as fronteiras nacionais desde 2015. A organização tem o escritório da CUFA Global em Nova Iorque, lugar que sedia a ONU e onde estão as principais representações de chefias de Estado. Mas o reconhecimento internacional nem sempre encontra ecos no nosso território. Ele conta que, muitas vezes, por aqui, ser da CUFA tem sido motivo de ser criminalizado. “Curiosamente a gente foi premiado fora do Brasil pelos mesmos motivos que, no Brasil, fomos incriminados”.
São mais de 100 mil pessoas atuando nas ações da organização, um impulso coletivo, segundo o ativista. “A pessoa preta de favela no Brasil dificilmente vai fazer alguma coisa sozinha. Sempre vem alguém junto com ela. E quando ela se move, ela move uma porrada de gente junto”.
Ficar em casa como? Sobre os impactos da pandemia nas favelas, o ativista é preciso: como fazer isolamento? Como se fala de campanha com álcool em gel se tem um monte de gente sem acesso à água e sabão? E explica que os moradores dessas regiões, já isolados socialmente de direitos, são exatamente os que estão nos chamados serviços essenciais. “Inclusive aumentou o número de mortes de quem trabalha nas farmácias, supermercados, postos de gasolina, o cara que entrega comida na sua casa... Essas pessoas foram tratadas como essenciais para servir mas nunca prioritárias para vacinar”, arremata.
Nas ações da CUFA contra a covid, Preto Zezé revelou a estratégia do programa Mães da Favela. Cerca de 80% e 90% do que é arrecadado é repassado para essas mulheres líderes de família. Ele explica que, ao chegar nelas, a ajuda desencadeia uma série de outras redes de potência impressionantes, já que são elas as responsáveis por lares, cuidados de filhos e de idosos.
O ativista ainda tratou da falta de legitimidade dos partidos para promover uma agenda conectada com as necessidades das favelas. E esclarece que os representantes políticos não têm origem, não representam e nem tem identidade com aquele território. A CUFA vem atuando para constituir uma frente das favelas e promover uma rede de lideranças constituída por homens e mulheres negras que venham a ocupar os espaços de decisão.
Quem faz o quadrado? O Política ao Quadrado é o podcast de primeira que vai ao ar toda segunda. A produção independente tem apresentação de Lívia Carolina e Caio Barros, técnica e vídeo por Kauê Pinto, edição e mixagem de Brunno Rosseti e produção de Germano Neto.
Siga o programa nas redes sociais:
twitter.com/politicaao2
instagram.com/politicaao2
Gostou do projeto? Apoie em: apoia.se/politicaao2
Contato: políticaao2@gmail.com