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Do mainstream à independência, Lobão fala sobre o processo de construção da liberdade na sua carreira de músico neste 25º episódio do Política ao Quadrado. E Lívia Carolina e Caio Barros não podiam deixar de perguntar sobre posicionamento político e expectativas para as eleições de 2022. Para o artista, não se deve cogitar a possibilidade da volta ao poder de Lula ou Bolsonaro, duas figuras que, nas palavras dele, precisam ser minadas.

No programa, Lobão conta que, durante a pandemia, não tem sentido diferença de ficar em casa, onde se sente bem, se considera um ermitão, um “homem para dentro”. O artista tem se dedicado a gravações de clássicos na nova etapa do seu projeto “Canções de quarentena”. Para não deixar escapar a sua marca de rebeldia e contradição, no início deste mês, lançou a música de protesto “Bunda Suja”, com críticas ao presidente, que chegou a apoiar em 2018.

Lobão também falou sobre a revolução do rock nacional dos anos 80, responsável por levantar a indústria fonográfica brasileira, que estaria na “pré-história” até então. Para ele, o novo gênero foi uma locomotiva transformadora do show business nacional, tanto em termos de tecnologia de gravação como de venda: “vendeu-se disco como nunca (…) as gravadoras te paparicavam”. 

Apesar da pujança do novo estilo, o artista revelou a tentativa, pelos diretores de gravadoras, de direcionamento do conceito estético do gênero musical como uma nova jovem guarda, fru-fru e inofensiva. No início dos anos 2000, Lobão revela que começou a produzir seus próprios discos e a estudar outros instrumentos: de guitarra à harpa e piano clássico. O músico avaliou as limitações impostas pelos produtores e, a partir de então, ele mesmo resolve estudar recursos digitais e engenharia acústica. 

Ao se definir como crítico da MPB e de sua própria geração, o artista afirma a necessidade de enfrentamento do “coronelato” e dos “monstros sagrados” dentro da música. E também critica a neofobia, que limitaria a criação a partir de movimentos e gêneros cristalizados. “Toda a música brasileira tende a virar uma língua morta. Então a bossa nova, não mexe porque aquilo é uma pérola”. Ele ainda faz duras críticas à cultura brasileira da malandragem em qualquer área, que seria cultivada por nós, e fala sobre a Lei Rouanet e a distorção do direcionamento do incentivo a grandes artistas. 

Quem faz o quadrado? O Política ao Quadrado é o podcast de primeira que vai ao ar toda segunda. A produção independente tem apresentação de Lívia Carolina e Caio Barros, técnica e vídeo por Kauê Pinto, edição e mixagem de Brunno Rossetti e produção de Germano Neto. 

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