Nesta semana, o Política ao Quadrado conversou com o vice-presidente da Câmara dos Deputados, Marcelo Ramos (PL-AM). O parlamentar tem sido uma das principais vozes de tensionamento no Congresso com o governo Bolsonaro. Sobre o presidente, ele mantém o tom crítico e resume: “é um autoritário, comprometido com as pautas mais atrasadas do país, ele é tudo menos um liberal-conservador”. O deputado também apontou o que considera um erro dos partidos de centro (inclusive o seu), a guinada em direção ao governo.
A postura de Bolsonaro, segundo Ramos, faz mal para o próprio governo e afasta investidores: “quem é que vai investir num país em que amanhã o presidente pode invadir o Supremo Tribunal Federal?”. Para 2022, o parlamentar lembrou que será necessário eleger um presidente disposto a reconciliar o país e que também enfrente nossos desafios imediatos – desemprego, fome, juros crescentes e a inflação sentida nos preços dos alimentos, energia, gasolina e gás de cozinha. A solução passaria pela estabilidade política e institucional.
Sobre as últimas declarações de Bolsonaro relativas ao processo eleitoral, Marcelo Ramos explica que a simples ameaça ao Estado Democrático de Direito já configura crime de responsabilidade, tipo penal previsto na Lei do Impeachment. E lembra que o processo de afastamento não é apenas jurídico, mas também político. Segundo o parlamentar, enquanto o presidente tiver sustentação popular (e lembra os 20% de aprovação em pesquisas), há sustentação de base no Congresso Nacional e, portanto, não estariam postas as condições políticas para o processo.
Construção de guerrilha – De acordo com Ramos, a estratégia do presidente de criação de narrativas busca mobilizar suas milícias governistas, desviando a atenção das pautas essenciais que precisam ser discutidas. O deputado lembrou o episódio da votação do Fundo Eleitoral, quando entrou em embate com o presidente e seu filho Eduardo Bolsonaro. Naquele momento, o parlamentar conta que teve suas redes sociais atacadas pelos bolsonaristas e seu celular vazado.
No episódio, o vice-presidente da Câmara ainda falou sobre as incoerências do sistema tributário brasileiro e projetos de reforma, além das baixas expectativas para o crescimento econômico nacional. Ele também explicou um pouco sobre a necessidade de criação de um modelo econômico sustentável para o bioma amazônico, por meio da preservação da Zona Franca de Manaus, de investimento em pesquisa aplicada de biotecnologia e bioindústria e da regulamentação do mercado brasileiro de créditos de carbono.
Quem faz o quadrado? O Política ao Quadrado é o podcast de primeira que vai ao ar toda segunda. A produção independente tem apresentação de Lívia Carolina e Caio Barros, técnica e vídeo por Kauê Pinto, edição e mixagem de Brunno Rossetti e produção de Germano Neto.