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O Política ao Quadrado desta semana tem como convidado o vereador Leonel Radde (PT-RS). Policial civil (agora licenciado para cumprimento de mandato), ele falou sobre a desmilitarização da Polícia Militar, fascismo, descriminalização da maconha, carreira policial, entre outras questões relativas à segurança pública. 

Radde também expôs a dificuldade de diálogo entre os movimentos de esquerda e a polícia, muitas vezes situados em campos opostos, tanto nas ruas como nos debates ideológicos. Na conversa, o episódio de agressão a policiais militares por um empresário em Alphaville, condomínio de luxo de São Paulo, é ilustrado pelo vereador como exemplo de posicionamento antipolícia muitas vezes adotado por discursos da esquerda. Os agentes haviam sido chamados pela esposa do empresário, que temia ser agredida. “Quando o policial é vítima, a esquerda vai lá e malha (…) Ah, se fosse na periferia esse policial vagabundo tinha sentado o pau”. 

Os agentes agiram corretamente ao serem acionados: o agressor foi conduzido à delegacia e autuado, inclusive por desacato. Segundo Radde, tanto o policial trabalhador quanto o corrupto votam majoritariamente na direita, que teria um posicionamento mais brando com relação a condutas erradas cometidas por forças policiais em operação. Ele ainda esclarece que a categoria faz parte do aparato repressivo do Estado e que tem uma lógica de manutenção do status quo. 

Outra questão levantada pelo convidado é a visão do policial herói, reforçada por programas policialescos cujo palco é a perseguição a bandidos em periferias. Muitos políticos policiais se beneficiariam dessa fama para se eleger sem nunca terem atuado na linha de frente.  Desmilitarização da PM – O vereador esclarece que a desmilitarização não significa retirar armas de policiais ou perda da ostensividade. A mudança passaria pela reformulação da formação e treinamento das forças repressivas, retirada do código penal militar (que excluiria as hipóteses de prisões administrativas), além da possibilidade de sindicalização e de manifestações trabalhistas. 

Ele diferencia tais prerrogativas do episódio abusivo de motim de policiais em Sobral (CE). Para ele, a desmilitarização traria melhorias para o debate interno das corporações e na forma como o trabalhador da segurança pública lida com o dia a dia, mudanças que seriam refletidas de forma benéfica na relação do policial com a população. 

Quem faz o quadrado? O Política ao Quadrado é o podcast de primeira que vai ao ar toda segunda. A produção independente tem apresentação de Lívia Carolina e Caio Barros, técnica e vídeo por Kauê Pinto, edição e mixagem de Brunno Rossetti e produção de Germano Neto.