Existem pontos em comum entre o discurso de Vladimir Putin, presidente da Rússia, e o bolsonarismo? E como o episódio das Torres Gêmeas nos Estados Unidos, há 20 anos, explica o surgimento do iliberalismo e reflete no Brasil? O jornalista e colunista político Luiz Carlos Azedo é o convidado do 34° episódio do Política ao Quadrado e traz reflexões estruturais e históricas sobre ao atual momento da democracia brasileira.
Azedo conta sua trajetória desde as atividades no Partido Comunista Brasileiro às redações. Antes de iniciar sua carreira na mídia tradicional, ele esteve mais de uma vez na antiga União Soviética, pelo jornal do partido, e presenciou momentos da dissolução do regime socialista.
O convidado revela a ausência de uma síntese teórica no mosaico formado por vertentes de ex-comunistas, humanistas, social-democratas e liberais. E esclarece que o modelo desenvolvimentista histórico, tanto social-democrata ou da esquerda nacionalista, se esgotou. Na conversa, o jornalista analisou a pré-candidatura à presidência da República de Alessandro Vieira, pelo Cidadania, e esclareceu que a construção de um novo programa e de pontos de consenso seria um desafio para todas as forças políticas.
Para Azedo, as divergências das antigas lideranças não são fator principal para a compreensão do atual quadro brasileiro. O colunista traz o conceito da dialética, por meio da unidade dos contrários, para ilustrar o momento de radicalização. “O radicalismo do Bolsonaro alimenta o radicalismo de esquerda e a candidatura de Lula”, afirma. Os setores ligados ao petista veriam o enfraquecimento ou destituição do presidente como um risco de fortalecimento de uma candidatura de centro ou conservadora, conforme explicou.
Sobre as manifestações convocadas por forças bolsonaristas em 7 de setembro, o jornalista informa que nunca houve possibilidade de adesão das forças armadas a um suposto golpe de Estado: o Exército estava de prontidão para a garantia da lei e da ordem. Não obstante, o ato foi mobilizado por dois meses pelo presidente e resultou no episódio de manifestação de força, com vários crimes eleitorais e resultados de instabilidade política (queda da bolsa e disparo do dólar). Por fim, Azedo avalia não acreditar na possibilidade de impeachment, não por falta de motivos, mas pela popularidade do governo e pela falta de adesão das principais forças políticas determinantes para o processo (centrão e PT).
*Quem faz o quadrado?* O Política ao Quadrado é o podcast de primeira que vai ao ar toda segunda. A produção independente tem apresentação de Lívia Carolina e Caio Barros, técnica e vídeo por Kauê Pinto, edição e mixagem de Brunno Rossetti e produção de Germano Neto.