O deputado federal Aliel Machado (PSB-PR) está no 44º episódio do “Política ao Quadrado”. O convidado inicia nosso bate-papo, explicando o que vem a ser um dos tipos de descasos que acometem as crianças brasileiras: o abandono político. Da antessala do prefeito de Ponta Grossa, munido de infância e de um talão de luz, ao Plenário da Câmara dos Deputados, munido de juventude e de um compromisso firmado com 82.884 paranaenses, Aliel reputa às suas origens a força motriz de suas batalhas políticas atuais, classificando a alteração do texto original da última reforma da previdência (PEC 6/2019) como a sua principal vitória no parlamento. Oriunda de um destaque de autoria do PSB, partido do convidado, a referida modificação permitiu que homens e mulheres submetidos ao Regime Geral de Previdência Social contribuíssem por menos tempo em sua transição para a aposentadoria.
No que concerne à realpolitik da Câmara dos Deputados, o parlamentar apresenta sua visão acerca de dois temas candentes: o “orçamento secreto” e a “PEC dos Precatórios”. Segundo Aliel, o adjetivo “secreto” não faz jus à realidade, pois as emendas - imprescindíveis, uma vez que levam o recurso até a ponta, nos municípios – já são objeto de controle em sua recepção, execução e prestação de contas; o deputado pondera, contudo, que é necessário que haja mais transparência em relação ao parlamentar que indica a aplicação dessa parcela do orçamento federal. No âmbito da votação, na Câmara, da “PEC dos Precatórios”, Aliel, que votou a favor da proposta, questiona a coerência do posicionamento contrário do Partido dos Trabalhadores e de outros deputados historicamente progressistas - “a esquerda não é contra o teto de gastos?” – e classifica a atitude como eleitoreira. O parlamentar avança, ao contar vários bastidores do dia da tensa votação e ao explicar por que, na sua opinião, Bolsonaro, na verdade, não quer que essa PEC seja aprovada.
Uma vez invocada a realpolitik, impossível não se chegar ao nome de Arthur Lira, atual presidente da Câmara dos Deputados. Aliel dá sua opinião a respeito da atuação do parlamentar do PP de Alagoas e do chamado “centrão”, grupo classificado pelo deputado paranaense como essencial para a governabilidade, desde que respeitados os princípios republicanos. Aliel lembra também de sua relação tumultuada com Eduardo Cunha, ex-Presidente da Casa, no contexto do impeachment da ex-Presidente Dilma Rousseff. No que tange a esse momento recente da história política do Brasil, o deputado afirma que a palavra golpe é imprecisa, uma vez que a ritualística foi observada; contudo, na sua opinião, o processo foi uma armação, financiada por interesses econômicos: “tudo o que acontece hoje é consequência das rupturas que se iniciaram em 2016...por termos tentado encontrar uma solução rápida para um problema grave, estamos pagando o preço até hoje”.
Ao ter a validade de uma frase sua, de 2018, questionada – “Bolsonaro é cria do PT” -, Aliel diz acreditar, sim, que, na última eleição, teria sido possível construir frentes amplas, abrindo mão de aspirações individuais, em prol do país. Por fim, o parlamentar analisa as probabilidades de aproximação, em nível nacional, entre o seu partido, o PSB, e o PT, no contexto da possível filiação do ex-Governador de São Paulo Geraldo Alckmin ao partido socialista e da eventual composição de uma chapa com o ex-Presidente Lula, atual líder das pesquisas eleitorais para o Palácio do Planalto.
Quem faz o quadrado? O Política ao Quadrado é o podcast de primeira que vai ao ar toda segunda. A produção independente tem apresentação de Lívia Carolina e Caio Barros, técnica e vídeo por Kauê Pinto, edição e mixagem de Brunno Rossetti e produção de Germano Neto.