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O analista político, professor e advogado Melillo Dinis é o convidado do Política ao Quadrado #9. No papo com Lívia Carolina e Caio Barros, ele traz a crença na resistência e insistência do povo brasileiro sem deixar de perceber a gravidade da crise sanitária em que está inserido o país, “o covidário brasileiro”.

Melillo faz análises a partir da experiência de sua longa trajetória de atuação profissional ao lado de movimentos de direitos humanos desde os anos 80. Atualmente atuando como advogado de organizações indígenas amazônicas, a exemplo dos Kayapó, o convidado falou das disputas travadas contra grileiros, garimpeiros e madeireiros ilegais. O advogado reconhece a grandeza desse povo originário, que tem mais tempo de luta que a própria ideia do Estado brasileiro. Ele lembrou as queimadas criminosas do Dia do Fogo, ato ilegal convocado por empresários do mercado ilícito que espalhou focos de incêndio ao longo da BR 163 e ganhou as manchetes internacionais. O advogado relata a desestruturação, no atual governo, dos órgãos de fiscalização ambiental e o desvio completo de finalidade da Funai.

As possibilidades para as disputas eleitorais de 2022 foram abordadas a partir do episódio deflagrado pela determinação do ministro do STF Luiz Edson Fachin de anular decisões da Lava Jato contra o ex-presidente Lula. Para ele, o petista sai maior com o novo fato, já que ganha mais uma narrativa em sua história como ator político. E avalia que a próxima eleição presidencial deverá ser pulverizada, a princípio com muitos candidatos, que negociarão, no segundo turno, a adesão a um projeto ganhador. 

Melillo também abordou a judicialização da política e a politização do judiciário. Para ele, há uma busca de proeminência por parte dos ministros, o gosto pelo espetáculo como forma de ter parte do domínio sobre a política brasileira. Ele conta que o amor pelo espetáculo também foi o caminho escolhido pela Lava Jato, que também adotou um projeto político. “Tanto que acabou redundando no principal juiz (da Lava Jato) como ministro da Justiça e hoje um possível candidato às eleições em 2022”, criticou. 

O advogado reconheceu que a pandemia é o fundo do poço e que não há mais para onde cavar, mas que a situação crítica deve trazer novas percepções da política e dos políticos. “Antes da pandemia, o tema do Estado era quase bobo, quem defendia o Estado era comunista, de esquerda. Hoje estamos desesperados para que o Estado adote as soluções necessárias e possíveis para esse enfrentamento”.

Quem faz o quadrado? O Política ao Quadrado é o podcast de primeira que vai ao ar toda segunda. A produção independente tem apresentação de Lívia Carolina e Caio Barros, técnica e vídeo por Cauê Pinto, edição e mixagem de Bruno Rosseti e produção de Germano Neto. 

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