Por Marco Antonio Peres
A ciência segue por mais de um caminho para chegar ao mesmo lugar.
Recentemente foi iniciada uma nova discussão, agora com as três forças, que têm suas bases de sustentação bem divergentes: Darwinismo, Criacionismo e Design Inteligente.
Darwinismo: é o conjunto de teorias sobre a origem e a evolução dos seres vivos, sintetizada na década de 1940, seus principais pontos são a idéia da seleção natural e produção aleatória genética.
Criacionismo: movimento que defende que a narrativa da criação do livro bíblico do Gênese reflete exatamente os eventos que levaram ao surgimento da Terra e do Universo rejeita a escala de tempo cosmológica e explica a extinção pelo dilúvio.
Design Inteligente: afirma ser uma corrente científica que não segue determinação religiosa. Argumenta que grande parte das estruturas é complexa demais para terem surgido como explicam os Darwinista, pois este deixa grandes “buracos” na teoria evolutiva, principalmente no Período Cambriano – 545 a 495 milhões de anos – vê a necessidade de um “designer”, um projetista inteligente. Novamente uma corrente que não identifica esse ser.
O físico inglês Stephen Hawking, ocupante da cadeira que foi de Isaac Newton na ultraprestigiosa Universidade de Cambridge é um dos principais teóricos dos “buracos negros”. Hawking realizou o tratado de cosmologia e astrofísica, denso o suficiente para fritar o cérebro do público leigo. Publicado em 1988, Uma Breve História do Tempo, tornou-se o mais inesperado best seller da história e até filme virou — não sem antes deixar no ar, bem no parágrafo final, uma sedutora insinuação de casamento entre ciência e religião:
“Se chegarmos a uma teoria completa, com o tempo, esta deveria ser compreensível para todos e não só para um pequeno grupo de cientistas. Então, todo mundo poderia tomar parte na discussão sobre por que nós e o Universo existimos... Nesse momento conheceríamos a mente de Deus”.
Fé: (do latim fides) Adesão total do homem a um ideal que o excede.
Dentre muitos cientistas, um, talvez, o mais ativo é o também inglês John Polkinghorne, que foi colega de Hawking no departamento de Física de Cambridge, que após de 25 anos de carreira acadêmica brilhante largou tudo para se ordenar pastor anglicano e escrever seus livros de “cristianismo quântico”.
Alguma transformação radical deve ter ocorrido para que a crença em Deus, assunto que havia se tornado tabu em laboratórios e universidades ressurgisse com tanta força. Cem anos atrás, a ciência se projetava como a própria imagem do progresso e da civilização: decifrar todos os mistérios da natureza era só uma questão de tempo. Era como se estivéssemos em um trem, atravessando planícies ensolaradas, com uma visão cada vez mais ampla de tudo que nos cercava. Nós mesmos havíamos nos tornado os senhores do universo. Ninguém necessitava mais de fantasias como “providência divina”. Conceitos desse tipo, de entidades sobrenaturais em geral, passaram a ser considerados uma infantilidade neurótica (Freud), ou um meio das classes dominantes subjugarem os pobres e oprimidos (Nietzche e Marx).
De repente, sumiram de vista as planícies, a luz do sol e os próprios trilhos do trem. Um terremoto, depois outro, havia nos atirado dentro de um túnel escuro, onde as velhas certezas voltavam a se converter em mistérios. Esses dois cataclismas eram justamente a física quântica e a matemática do caos.