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O discurso de ódio é um ato político. Ele está relacionado à censura de direitos, à deslegitimação da igualdade de determinados grupos, e a vítima, em geral, são as minorias.

A discussão sobre o discurso de ódio muitas vezes se mistura com a defesa da liberdade de expressão. Qual o limite entre um e outro? A liberdade de expressão prevista em tratados internacionais e legislações nacionais tem sido cada vez mais interpretada como um direito não absoluto, mas limitado a outras garantias. Porque, por mais que a liberdade de expressão seja um dos pilares para a saúde de um estado democrático pleno, a possibilidade de disseminação de discurso de ódio ( especialmente com a ascensão da internet)  provoca a necessidade de repensar o papel do estado na garantia da dignidade humana, quando a liberdade de expressão for usada como esconderijo para um discurso violento. 

Combater o discurso de ódio interfere nos princípios democráticos, ou combater a intolerância é fundamental para ter um estado democrático pleno? Nos deparamos com o paradigma de Popper: devemos ser tolerantes com os intolerantes? A resposta dele é: "sim". Se pretendemos preservar o estado democrático de direito, devemos enfrentar aqueles que querem destruir as liberdades e garantias que ele defende. 

Discurso de ódio: um discurso que descaracteriza, que simplifica e instrumentaliza.

O ódio constrói, mas serve a quem? 

No episódio dessa semana conversamos sobre as características gerais do discurso de ódio e, em especial, por que a China tem sido um alvo constante desses ataques.

Participaram:

Mariana Capelo - Jornalista

Luiz Eudásio - Linguísta 

Antônio Abdias -  Cientista político