E foi em Maio que te escrevi um poema nos lábios.
E foi em Maio, que te escrevi folhas verdes de árvores
antigas nos teus olhos que sangravam lágrimas de pétalas; e foi em Maio, que te
escrevi um diário de palavras em silêncio; e foi em Maio, que te escrevi barcos
navegando nos teus seios em noites de sorrisos escondidos; e foi em Maio, que
te escrevi as minhas sombras em clepsidras partidas; e foi em Maio, que te
escrevi as minhas reencarnações por dentro das raízes das flores.
Havia sempre um primeiro silêncio quando te via.
Havia sempre um segundo silêncio quando te olhava.
Havia sempre um terceiro silêncio quando te abraçava.