“Eis as ruas, suas esquinas e encruzilhadas: por lá inventam-se os cotidianos” (RUFINO, 2019). A rua é das mulheres e homens comuns, esses corpos negros e diversos que historicamente têm enfrentado processos violentos de colonização e subalternização. Lá, suas histórias e sabedorias, perpassadas por sua ancestralidade, inventam modos criativos de existência e vivências da sua liberdade nesse espaço comum. O corpo aqui é utilizado como importante ferramenta, como arquivo e arma, como terreiro, “que nega, dissimula, faz a finta, enfeitiça, joga, ‘faz que vai, mas não vai’”. Assim, as experiências artísticas também marcam processos de resistência e, quando demarcam seus lugares e vozes no mundo, criam espaços de tensionamentos, mas também de produção de conhecimento.
O episódio de hoje é um olhar/ouvir/sentir os percursos de uma mulher que constrói suas dramaturgias e memórias nesse espaço social; seja na música, na dança, na capoeiragem ou nas pedagogias do viver, Mônica Maria Santana, mais conhecida como Mestra Mônica, inspira abertura de espaços no corpo a corpo, se expandindo e se apoiando em outras no presente, intencionando e sonhando liberdades para as mulheres do futuro.