Eunucos são homens que tiveram o pênis e os testículos (ou apenas os testículos) cruelmente arrancados fora. A jornada variava muito: alguns atenderam desejos sexuais de imperadores, outros lutaram em guerras sangrentas, foram castigados por crimes terríveis, ou definharam, enfrentando anos de escravidão.
Mas esses homens sofridos tinham sempre um fato em comum: passavam por castrações horrendas. A origem do próprio nome eunuco ajuda a explicar o porquê dessa violência toda: de etimologia grega, o termo eunoukhos se traduz como “guardião da cama”.
Na antiguidade, no Oriente Médio e na China, eles eram guardas ou serviçais justamente dos leitos e haréns, onde ficavam as esposas e concubinas reais.
A tradição de contratar homens castrados nos palácios e haréns vem do mundo antigo, mas atravessou o tempo, passando por Roma e Grécia, pelos fenícios do norte da África e chegou à Europa do século 20.
Além de castrados, os condenados eram obrigados a trabalhar de graça abrindo estradas, construindo pontes e servindo aos nobres.
Essa tradição atravessou os séculos e, embora em sua maioria os castrados fossem analfabetos e trabalhassem em serviços braçais, com o tempo passaram a controlar a burocracia, fazendo fortuna e conseguindo prestígio e poder.
EUNUCOS NA BÍBLIA
A Bíblia cita vários eunucos em diversos textos. Em algumas passagens nas traduções em português, a palavra “eunuco” está ausente, pois o termo saris ou o grego eunouchos, foi traduzido por outra palavra, como por exemplo, a palavra “oficial“.
Havia também eunucos servindo na corte de Acabe (1Rs 22:9) e na corte do imperador da Pérsia Assuero. No caso de Assuero, os eunucos cuidavam de seu harém (Et 2:3,14), e no livro de Ester vários eunucos são citados pelo fato da história se passar no palácio onde havia muitos eunucos servindo.
A Lei mosaica exigia que os eunucos, no sentido de castrados, fossem excluídos da assembléia do Senhor (Dt 23:1). Na corte de Davi também havia eunucos trabalhando 1 Crônicas 28:1; Isaías 56:3; Neemias (1:11)
No Evangelho de Mateus 19:12, Jesus menciona três classes de eunucos:
Os que já nascem eunucos: esse primeiro grupo refere-se aqueles que são eunucos devido a alguma deficiência congênita.
Os eunucos feitos por mãos humanas: esses são os que foram fisicamente castrados (2Reis 20:18; Ester 2:14).
E os eunucos espirituais: nesse terceiro grupo a palavra “eunuco” é utilizada no sentido figurado, e refere-se a todo aquele que, voluntariamente, desistiu da aspiração de se casar e constituir uma família, para poder se dedicar exclusivamente aos interesses do reino do céu.
Na Bíblia também são citados dois eunucos etíopes. O primeiro, Ebede-Meleque, é citado no Antigo Testamento, e foi quem pediu que o Profeta Jeremias fosse libertado do calabouço (38:7-13).
O eunuco etíope é um personagem mencionado em Atos dos Apóstolos (8:26-40), a qual se converteu sob o ministério de Filipe, o Evangelista. Ele possuía uma posição de influência na corte da Etiópia, ou seja, era um alto oficial (grego dynastes), tesoureiro real da rainha Candace.