Refletindo sobre a presença da espiritualidade na vida e na clínica, Ana Rita de Calazans Perine (filósofa clínica, cofundadora do Instituto ORIOR - resgate filosófico, transdisciplinaridade e sustentabilidade) recebe Kélsen André Melo (filósofo, terapeuta, escritor, professor, coordenador do Instituto Fiholosofico), que discorre sobre sua trajetória e como a Filosofia Clínica o auxilia na abordagem e trato das questões espirituais.
Links disponibilizados pelo Convidado:
filosofiaclinicachapeco.com.br/copia-fc-corpo-docente
youtube.com/watch?v=0Ut0y134HAE
Texto Introdutório:
"Entre as especificidades próprias do humano enquanto espécie, a possibilidade de contemplar e de se relacionar com uma dimensão maior que a sua própria, por aceite ou negação, parece lhe diferenciar de outras formas de vida.
Pesquisas indicam e quem convive com eles atesta cotidianamente, que os animais em geral demonstram capacidades de pensar, sentir e fazer, ainda que em níveis bastante diferenciados, alguns mais, outros menos conscientes.
Em contrapartida, indícios robustos associam exclusivamente ao ser humano a capacidade de "religare" (tornar a unir, a partir da percepção da separação), raiz comum das religiões (enquanto preceitos pre-estabelecidos) e expressões espiritualistas (enquanto caminhos próprios de acesso).
Sentida e vivida de maneira singular, a espiritualidade encontra destaque não só na história da filosofia como também na filosofia da história, justo por se fazer presente na trajetória humana e alimentar a dimensão simbólica que nos é tão peculiar.
Entre aquele que acredita e aquele que desacredita na existência de uma ordem implícita no universo, que tudo permeia e envolve, a incógnita faz a interseção: ambos se relacionam com o mistério que ignoram, com algo que não conhecem nem plenamente alcançam."
(Ana Rita de Calazans Perine)