" A filosofia (e o filosofar) está em tudo que nos toca e atravessa, é disposição originária e própria do humano, permeia o universo do ser.
A filosofia não nasce na Academia, ela é pela Academia absorvida e por vezes por ela engessada em teorias e correntes de pensamento que aprisionam ideias alheias, nascidas do livre circular, sem libertar suas próprias.
O filosofar é da vida e do viver, ainda que possa estar no meio acadêmico, não é ditado por títulos, insígnias e chancelas.
Filosofia é pathos (paixão, afeto, empatia, emoção, persuasão), ethos (ética, autoridade moral) e logos (lógica, razão): os três pilares da retórica, segundo Aristóteles. Um discurso, ainda que persuasivo, pode não trazer verdade nem permitir sua checagem, não trazendo nem permitindo, seria um discurso vazio.
Verdade é busca. Checagem, indícios que dela encontramos no processo de estar aqui e agora, em relação com a vida, inseridos no pulso da existência, experimentando e experienciando. Daí a prática do laboratório grego, filosofia promovendo ajustes necessários no processo do viver. Não há transcendência sem experiência, nem avanço sem fronteira.
Percorremos o território da existência impondo e ampliando limites. Na zona fronteiriça, divisa entre eles, carimbamos o passaporte do aprendizado. Ele é o salvo conduto, nosso passe livre, convertido em bagagem, repertório, histórias para contar, inquietudes para compartilhar, conhecimentos para disseminar...
O risco da filosofia?! Talvez o inerente a um bem conduzido processo terapêutico: nos colocar diante de nós mesmos!"
Ana Rita de Calazans Perine
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