A reflexão de Georges Bataille sobre o erotismo nos ajuda a pensar que a sexualidade toca sempre zonas de limite, interdição, transgressão e excesso. Talvez por isso mesmo,quando a sexualidade não é atravessada por uma elaboração ética, ela possa deslizar para formas de domínio, captura e objetificação do outro. Casos que nos chocam por seu caráter extraordinário também revelam algo de ordinário:cenas que se repetem em muitos espaços da vida social. E a psicanálise, como instituição, não está fora disso.
Hoje, quando falamos em sexualidade, os temas do abuso, do assédio e da violência se impõem com força. Ao pensar, por exemplo, em casos como o de Epstein, falamos de umaarticulação estrutural entre sexualidade e poder.
Neste episódio, queremos abrir um espaço de conversa sobre aquilo que o campo analítico muitas vezes hesita em nomear: abuso de poder, hierarquias de gênero, autoridade institucional, silêncio e responsabilidade.
Para esta conversa, recebemos a filósofa e psicanalista Natália Leon e a psicanalista Juliana Lang.