Em 2008, o Instituto Açoriano de Cultura encomendou à BOCA aquela que seria a sua primeira produção externa: transformar os romances "Terra do Bravo", de Carlos Enes, e "Chiquinho", de Baltasar Lopes, em audiolivros, ambos destinados a integrar a plataforma de e-learning do programa “Chronos” – projecto de divulgação da cultura da Macaronésia.
Aqui podemos ouvir um capítulo de Chiquinho, obra fundadora da moderna literatura cabo-verdiana. Texto polifónico, assente na oralidade, Chiquinho pedia também mais vozes do que as que cabiam no orçamento e no prazo acordados com o IAC.
Mas como resistir à tentação de fazer um casting, seleccionando de entre os filhos portugueses da diáspora cabo-verdiana os sotaques de que precisávamos para dar vida à fala daquele texto? E como prever que assim nos chegariam Marco Rocha, Celina Pereira, Ana Firmino, Joaquim Arena, Avelino Chantre, Vera Cruz, Adriano Reis, Andredina Cardoso, Bilocas, Edna Lopes, Flávia Rocha, Jaclin Freire, Matísia Rocha, Reginaldo Spínola, Samira Lopes e William Brandão? E que a estes se juntaria Jon Luz, autor da morna que atravessa o livro, e de caminho interpretando Nonó?
O resto foi milagre de talento e entusiasmo colectivo, vertido em 76 capítulos (perto de sete horas de audição), com direcção artística de Maria do Céu Guerra e sonoplastia e mistura de António J. Martins.
Disponível em http://www.iac-azores.org/biblioteca-virtual/audiolivros.html