Tem uma história que, resumidamente, nos conta que um discípulo foi até o seu mestre, que fazia café, com algumas perguntas a lançar. No entanto, em meio a essas perguntas, já existiam respostas. Eram as suas próprias concepções. Os cristais de suas rígidas e inflexíveis ideias. Sua maneira egocêntrica de ver o mundo. Em suma, ele estava cheio demais de si mesmo.
O mestre, então, percebendo que, embora fazendo perguntas, o discípulo esperava ouvir as suas próprias opiniões sendo reproduzidas, continuou fazendo café. Terminou, começou a despejar o líquido fervente sobre a xícara até o ponto de transbordá-lo. O discípulo se impressionou. “Mestre! O que o senhor está fazendo?!”. O sábio mestre, então, respondeu: “Não posso lhe dar respostas se você já está cheio das suas”.
Em nossas vidas cotidianas às vezes fazemos o mesmo. Vamos às pessoas repletos dos nossos conceitos e preconceitos. Dirigimos-lhes perguntas esperando que de seus lábios soem as palavras que queremos ouvir, aquelas que já trazemos conosco, das quais estamos tão fartos. Não conseguimos ouvir o que as pessoas têm realmente a dizer. E sem um espaço dentro de nós para acolher um pouco da dor ou da experiência do outro, acabamos transbordando – é quando, por motivos tão simplórios, ficamos irritados, irados, raivosos.
Que tal adotar uma postura de mais abertura e compreensão? Que tal esvaziar um pouco a sua xícara para que o outro lhe revele o quanto outros cafés também podem ser saborosos? Então convido a você para ouvir o primeiro episódio desse podcast criado por mim, Amilton Júnior (@Amilton.Jnior)