Listen

Description

Tony Neves, no Munhino

Luanda foi-se tornando pequenina e distante, à medida que o avião da TAAG se dirigia para o sul planáltico, com destino à cidade do Lubango. O fim de semana fora muito preenchido por um misto de agenda pastoral e social. Tive a alegria de reencontrar e abraçar velhos amigos que me vieram saudar. Vivi momentos muito intensos no encontro de reflexão realizado na Paróquia da Senhora da Paz, no Bairro Rocha Pinto, em pleno musseque, na manhã de sábado. O domingo acordou-me cedo para uma Eucaristia com muitas centenas de pessoas na Comunidade da Congeral, nascida numa fábrica de pesca e transformada numa grande comunidade de bairro, sob a protecção de Santa Teresinha. A Missa foi muito animada e, no fim, pude perceber o andamento acelerado das obras da construção de uma grande Igreja. O povo vive no musseque, é pobre, mas tem uma generosidade extraordinária aliada a uma grande capacidade de fazer caminho como família unida. Aqui se comprova que, pela Fé, a união gera ainda mais força!

Aterrei no Lubango, numa tarde fresca de 2ª feira. O P. Roberto Tchikakumbi, responsável pelo Noviciado Espiritano, acolheu-me e apontou o carro para a direcção da cidade, onde fomos até à Missão da Senhora das Dores. De lá, seguimos para o Munhino, a uma vintena de kms, já perto da histórica Missão da Huíla, visitada por Miguel Torga. Além do Noviciado, neste Centro de Espiritualidade cravado numa montanha de densa floresta, constantemente visitado por macacos, está a decorrer o ‘Mês Espiritano’, um programa de preparação para os Votos Perpétuos. Faz muito frio e tivemos de andar todos bem encasacados. Mas o importante é que este é um ano de ‘boa colheita’ e são 12 os jovens que decidiram entregar toda a vida ao serviço da Missão. Ali os encontrei e com eles fiz caminho de dois dias intensos e felizes. A sua origem geográfica mostra a diversidade da presença Espiritana por terras de Angola. O João Tchikambi é da Catumbela (Benguela); o Venâncio Tchalo é da Tchiva (Huambo); O Eliseu Afonso é de Benguela; o Martinho Mulatu é daqui do Munhinho (Lubango); o Marcos Canjongo é da Matala (Huíla); o João Pedro, o Inácio Gerónimo e o Carlos Pilartes são de Caconda (Huíla); o Marcelino Satchingunde e o Ângelo Kalumbwe são do Lobito (Benguela); o Pedro André é do Soyo (Zaire) e o Gelson Costa é do Lubango.