Neste episódio, um epidemiologista e um jornalista de ciências abordam o tema “Uma infodemia necessária?”.
São mais de dois anos de pandemia de Covid-19. Neste período, no Brasil são mais de 30 milhões de casos e 667 mil mortes. Entre os sobreviventes, uma imensa população que apresenta sequelas associadas ao diagnóstico, incluindo dificuldade para respirar, perda de olfato, dentre outras. O nome para isso é Covid longa.
Na atual onda de Covid-19, a baixa mortalidade é uma boa notícia. Porém, poderia ser melhor. Estamos abaixo dos 80% de pessoas totalmente imunizadas (que tomaram as duas primeiras doses ou dose única). Outro agravante é a baixa adesão à terceira dose (primeira dose de reforço). Ao mesmo tempo, o papel da mídia em noticiar doenças infecciosas não pode se limitar à Covid-19. Temos a sazonalidade da gripe, assim como outras doenças como dengue, zika, febre amarela e chikungunya. Mais recentemente, entrou em pauta também a varíola do macaco.
Um cenário que impacta na cobertura jornalística que, se não for feita com qualidade e na medida certa, pode provocar uma infodemia. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica infodemia como sendo o excesso de informação, incluindo informações falsas ou enganosas em ambientes digitais e físicos durante um surto de doença. Segundo a entidade, a infodemia causa confusão e comportamentos de risco que podem prejudicar a saúde. Também leva à desconfiança nas autoridades de saúde e prejudica a resposta da saúde pública.
Uma infodemia, afirma a OMS, pode intensificar ou prolongar os surtos quando as pessoas não têm certeza sobre o que precisam fazer para proteger sua saúde e a saúde das pessoas ao seu redor. Com a crescente digitalização – uma expansão das mídias sociais e do uso da internet – as informações podem se espalhar mais rapidamente. Isso pode, por um lado, ajudar a preencher lacunas de informações mais rapidamente, porém, podem também amplificar mensagens prejudiciais.
Diante deste cenário trazido pela OMS, a reflexão que propomos é de buscar o equilíbrio na transmissão de informação, alertando na medida certa, sem causar pânico, porém, sem que a população deixe de perceber o risco ao redor dela. Sobre este desafio, vamos ouvir nossos convidados:
André Ribas de Freitas, médico epidemiologista, doutor em Epidemiologia pela Faculdade de Medicina da UNICAMP, professor de Epidemiologia e Bioestatística na Faculdade de Medicina São Leopoldo Mandic de Campinas e consultor científico da A CASA – espaço de conexão entre agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias.
Rafael Garcia, jornalista graduado pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Foi bolsista do programa Knight Science Journalism do MIT (Massachusetts Institute of Technology). Com 25 anos de experiência em redações (20 dos quais dedicados à cobertura de ciência), atuou em veículos de imprensa como Folha de S.Paulo, Scientific American Brasil, Galileu e G1. Foi vencedor do Prêmio Exxon de Jornalismo de 2015 na Categoria Informação Científica. Desde 2019 é repórter de ciência do jornal O Globo, onde cobriu a pandemia de Covid-19 desde o início.
Nesta primeira temporada, traremos episódios mensais. Cada episódio novo estreia na última terça-feira de cada mês.