O perdão é um direito do ofendido, ou seja, depende sempre da adesão de quem foi vítima do mal cometido. Por isso, o tempo de cada vítima será certamente diferente. Contudo, antes de pedir perdão é necessário conhecer toda a verdade, deixar-se interpelar por ela e sentir o profundo desejo de pedir desculpa pelo mal cometido. Seja o mal cometido individualmente por cada abusador seja aquele que foi cometido de forma institucional, pela Igreja, ao não apoiar as vítimas e ao não punir os abusadores.
Para esta conversa, convidamos Sónia Monteiro, que tem investigado e refletido sobre este tema, e Filipa, da Associação Coração Silenciado, de vítimas e sobreviventes de abuso na Igreja Católica Portuguesa, criada recentemente para dar voz aos que sofreram abusos. “Não falem por nós, falem connosco”, afirma Filipa, uma das fundadoras da associação, lamentando que todos falem em nome das vítimas mas ninguém, nomeadamente da parte da Igreja, venha falar com a associação.