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O Brasil trata de forma desigual todos aqueles que não estão inseridos no contexto ideal da branquitude: negros, indígenas e mulheres desde o período colonial. Essas populações sempre foram postas à margem da sociedade. Segundo pesquisa da Rede de Observatórios da Segurança, em 2022, o estado de Pernambuco registrou 91 mortes cometidas por policiais com 89,66% de pessoas negras. Todos os mortos, em Recife, pela ação policial, em 2022, foram negros. Enquanto isso, as políticas públicas produzidas pelo governo seguem sem dar conta do racismo e dos seus efeitos com a violência policial. E as pessoas negras ainda enfrentam os problemas no mercado de trabalho. Estudos do Ministério Público do Trabalho, apontam que, em 2017, havia uma diferença de remuneração relacionada a sexo e raça no setor formal. Enquanto a média salarial de um homem branco foi de R$ 3,3 mil a de homens e mulheres negros foi de R$ 2,3 mil e R$ 1,8 mil, respectivamente. E as pessoas negras ocupavam somente 29% dos cargos de direção. Já o estudo Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil, produzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2019, apontou que, no mercado de trabalho, os pretos ou pardos representavam 64,2% da população desocupada e 66,1% da população subutilizada. Além disso, o número de trabalhadores negros em ocupações informais era de 47,3%, enquanto o de brancos era de 34,6%.

A ideia de democracia racial remete a uma sociedade sem discriminação ou sem barreiras legais e culturais para a igualdade entre grupos étnicos é essencialmente utópica, posto que a plena igualdade e a ausência completa de qualquer tipo de preconceito nunca ocorreu em nenhum lugar do mundo. Por isso o Programa Fora da Curva de hoje pergunta ‘’Por que precisamos falar sobre racismo no Brasil?’’.

Para responder essa pergunta convidamos Mônica Oliveira, ativista da rede de mulheres negras de Pernambuco e da coalizão negra por direitos e Aline Braga, jornalista e integrante do intervozes.