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(1) Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, aos eleitos que são forasteiros da Dispersão no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia, (2) eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo, graça e paz vos sejam multiplicadas. (3) Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, (4) para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros (5) que sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo

“Esperar é caminhar”, diz a canção. É como se os olhos permanecessem fixos no horizonte, aguardando e aguardando, mas, enquanto isso, os pés nos movessem adiante; por vezes bem lentamente, é verdade; às vezes querendo voltar atrás. Mas nunca parados. E sempre esperando.



O apóstolo Pedro, um dos mais íntimos discípulos de Cristo, havia se despedido há décadas do Mestre. Agora, seus olhos fitavam o dia em que Ele voltaria. É nessa expectativa que ele escreve, provavelmente em Roma, uma carta de exortação, de ânimo, aos cristãos, especialmente gentios, espalhados pela Ásia Menor. É que alguns começavam já a enfrentar perseguições, que ficariam ainda piores. Que os fariam pensar em deter os passos, olhar para trás. Por isso, desde o começo da carta, logo após a saudação, Pedro quer lembrá-los do que os faz andar: Deus nos regenerou “para uma viva esperança”, “para uma herança incorruptível (...) reservada nos céus”. Essa salvação, no entanto, se revelará plena somente “no último tempo”, naquele grande dia. Conclusão: é preciso esperar. Como diz outra canção, “a mãe da esperança é a provação”.


E as provações, comuns e essenciais à vida cristã, tantas vezes parecem intransponíveis. Não é incomum parar, desistir, desesperar. Esqueço o que importa, tiro os olhos do céu, e volto pela direção errada. Ler e ouvir isso talvez seja a oportunidade para dar um tempo, respirar fundo e lembrar que os passos de Cristo nunca se detiveram rumo a cruz. Olhar para a cruz, se agarrar a Jesus, levantar e seguir em frente. É esse o convite inicial de Pedro antes que comecemos de fato sua carta. O convite para esperar enquanto caminhamos, caminhar enquanto esperamos, cheios de gratidão e louvando, como o apóstolo: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva, (uma vivíssima) esperança”.

Texto: Misael Pulhes